Um Palhaço Muito Louco *ou minhas impressões sobre A Coisa*

20 02 2015

Quando assisti ao telefilme de “It: A Obra Prima do Medo” pela primeira vez, alguns anos atrás, vi que eles conseguiram traduzir bem uma grande obra de Stephen King (seja no tamanho do livro, com mais de 1100 páginas ou na qualidade da história, que é fantástica) em pouco mais de três horas. Mas claro que eu ainda precisava ler a obra pra ter certeza disso. E foi o que fiz em 2014, quando a Suma das Letras finalmente relançou a obra em terras tupiniquins. Comprei logo que o livro foi lançado (não comprei em pré-venda, uma vergonha pra minha pessoa!) e levei cerca de um mês para conseguir terminá-lo. Ainda considero o filme uma boa adaptação, mas o terror que a história e, principalmente, Pennywise transmitem não foram completamente exprimidos na tela. Fica aqui agora a torcida para que a nova versão do filme consiga traduzir melhor (e que o ator tenha tanta capacidade quanto Tim Curry teve, porque ele foi MESMO um Pennywise assustador).

Bom, vamos ao que interessa: o livro. Desde o começo, quando acontece a primeira morte (e a primeira aparição de Pennywise) já fica um clima tenso, que a cidade de Derry realmente tem algo de estranho, alguma coisa que ninguém vê mas que torna a cidade realmente assustadora. Aliás, a “Coisa” em qualquer de suas formas é definitivamente tensa. E um personagem muito bem utilizado, sendo um dos preferidos dos fãs de King quando falamos do quesito maldade.

O “Clube dos Perdedores” (Losers’ Club no original) é composto por personagens que marcam de alguma forma. Temos o piadista (Richie Tozier), um com problema de gagueira (William ‘Bill’ Denbrough), o gordo que sofre bullying (Benjamin ‘Bem’ Hanscom), o com problema de saúde (Edward ‘Eddie’ Kaspbrak), o garoto negro (Michael ‘Mike’ Hanlon), o escoteiro e judeu (Stanley ‘Stan’ Uris) e a garota (Beverly ‘Bev’ Marsh). Por mais que soe meio preconceituoso o que escrevi, temos aqui um grupo forte de personagens, principalmente quando unidos. Bill é um líder nato, Bev desde cedo mostra ser uma garota de atitude e forte, Ben beira o gênio quando se trata de engenharia (vide a cena da represa), Richie sempre tem uma piada na ponta da língua (seja em boa hora ou fora dela), Stan tem um grande conhecimento acumulado, Eddie sempre está pronto pra ajudar no que quer que seja e Mike, o último a se juntar ao clube, demonstra uma bela força de vontade.

Temos ainda o trio de “vilões”, formado por Henry Bowers, Victor Criss e Reginald “Arroto” Huggins. Victor Criss e “Arroto” Huggins normalmente só vão na onda de Henry, o único do trio que REALMENTE é mal, tanto que Pennywise mais de uma vez se utiliza dele para tentar dar cabo do “Clube”. Aliás, Henry é reconhecido como um dos personagens humanos mais sádicos dentro da bibliografia de King. Muitas ações dele são completamente descabidas para alguém da idade dele, desde criança.

A história como um todo é fantástica, tanto quando o “Clube” ainda é adolescente como no momento em que, já adultos, retornam a Derry para, mais uma vez, enfrentar a “Coisa”. A lição de amizade e o fim da infância e adolescência que King mostra nesse livro é maravilhosa, como acontece no conto “O Corpo” (do livro “Quatro Estações”). O enredo pode parecer cansativo às vezes, mas eu vejo como necessário pra compreendermos melhor os personagens e seus problemas (sejam de ordem pessoal ou seu envolvimento com a Coisa).

De modo geral, é um dos melhores livros de Stephen King que li até hoje (e já passei dos 30!).

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Uma Viagem a Nova Ether *ou Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas*

31 10 2012

Pegue os contos de fada que você ouvia quando criança: Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Branca de Neve… agora, pense que tudo aquilo que você ouviu não foi exatamente daquele jeito. Não, eu não estou falando na visão dos Irmãos Grimm. Mas de algo mais sutil… e interessante!

Bem vindos a Nova Ether, um mundo cheio de aventuras e seres incríveis!

 

As fadas, avatares do semideus Criador, são as protetoras do povo que vive em Nova Ether. Mas um dia algumas dessas fadas se cansaram das constantes falhas dos seres humanos, e resolveram que deveriam castigá-los além do que lhe era permitido. Assim, o Criador resolve bani-las. Aí começa a Era Antiga. Cheias de ódio, a energia branca delas se tornam energia negra. E uma delas passa a ensinar pessoas essa magia negra, criando seguidoras. Essas seguidoras são conhecidas por um nome próximo ao de sua mestra. O nome dela? Bruja. E assim, surgem as bruxas.

Obviamente, essas bruxas também fugiram do controle. E os homens viram que era hora de caçá-las! Liderados pelo reino de Arzallum, foi dado início à famosa Caçada de Bruxas, até hoje digna de cantos de bardos e muitas histórias! O nome do maior herói dessa grande caçada era Primo Branford. Filho de um moleiro, primogênito de três irmãos, ele subiu na vida com seus próprios esforços. Um dia ele pôde, enfim, atingir seu auge: comandando a inquisição às bruxas, e após a morte do Rei, ele acaba por assumir o trono de Arzallum.

Alguns anos se passam, a paz parece reinar livre. Mas dois casos isolados repercutirão no futuro desse reino: uma garota vê sua avó ser destroçada por um lobo gigante assassino, mas é salva do mesmo fim por um caçador. E dois irmãos caem numa armadilha de uma velha, que os engana com algum tipo de feitiço, e pretende comê-los, mas a irmã consegue enganar a velha e eles fogem. Em ambos os casos as crianças acabaram por carregar algum tipo de trauma.

E 20 anos após a Caçada nossa história realmente se inicia. Muitos mistérios, batalhas e sangue nessa aventura, onde nem tudo é como pensávamos que poderia ser.

 

Raphael Draccon nos brinda com uma deliciosa fábula neste primeiro livro da trilogia (até o momento) chamada Dragões de Éter. O primeiro volume, Caçadores de Bruxas, saiu pela Editora Planeta em 2007, e depois relançado pela Editora LeYa em 2010. A história flui perfeitamente: é praticamente impossível parar de ler em certos momentos! E ainda há aqueles momentos de tirar o fôlego do leitor! Os personagens são cativantes, mesmo aqueles que parecem ter pouco destaque durante a história. Admito que Draccon me conquistou desde as primeiras páginas. Ah, não podemos esquecer das diversas referências a outros personagens de contos de fada, a jogos como Final Fantasy (fantástico!) e a bandas como Nirvana e Limp Bizkit. Por essas e outras que eu recomendo a leitura desse livro. Duvido que se arrependerão!