Breve Comentário sobre o Oscar 2017

1 03 2017

Passado o Oscar (que eu, nesse ano, esqueci completamente de fazer minhas apostas) eu poderia falar dos momentos divertidos (como o pessoal aleatório que fez um tour pelo Kodak Theatre e me arrancou gargalhadas ou os doces caindo de paraquedas), poderia falar do trabalho bem legal do Jimmy Kimmel, poderia falar dos prêmios em si e dos seis Oscars que La La Land levou… e poderia até falar da vergonha definitiva que foi a entrega do Oscar de Melhor Filme, quando um auditor da PWC se perdeu completamente postando fotos no Twitter e entregou o envelope errado a Warren Beatty e Faye Dunaway (que graças a isso viraram alvos de chacota até a explicação oficial vir a público). Mas uma coisa pra mim foi mais revoltante, e exige um breve texto meu por aqui: o Oscar de Melhor Maquiagem para Esquadrão Suicida.

Tá, ok. Os fãs fervorosos da DC podem espernear que o prêmio foi justo, dado o ótimo trabalho de maquiagem com Killer Croc, El Diablo e na minha opinião, principalmente, com a Enchantress (eu adorei o visual da personagem, principalmente no começo do filme).

SUICIDE SQUAD

Mas vamos lá caras, olha o trabalho de maquiagem de Star Trek. É, indubitavelmente, ANOS-LUZ (HÁ!) superior. E não falo só de qualidade, falo de QUANTIDADE.

Filmes que envolvem outros planetas sempre nos dão maquiagens dignas de nota, e Star Trek tem feito isso com maestria mesmo durante suas diversas séries de TV (vide os Klingons). Mas é nos filmes, com um orçamento mais servido, que eles mostram o trabalho incrível nos personagens.

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Os mesmos fãs fervorosos da DC ficaram “ain, ganhamos um Oscar e a Marvel perdeu com Doutor Estranho”. Mas isso é óbvio: na categoria em que Doutor Estranho disputou ganhou o filme certo (Mogli), ao contrário da categoria em que o Esquadrão concorreu. E na real pra mim fazia mais sentido Doutor Estranho levar na categoria dele do que o Esquadrão.

E pra finalizar: ao menos a Marvel não levou CINCO Framboesas de Ouro uma noite antes, né? (:

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Após o Oscar pt. 3: Mad Max

7 03 2016

Eu queria falar agora, nesse terceiro e último texto sobre o Oscar, sobre o filme que saiu com mais prêmios na noite. Sim, estou falando de Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road).

Como eu já falei sobre o filme aqui e aqui, dessa vez vai ser só um texto curto, comentando sobre as categorias em que o filme levou.

Melhor Montagem

A forma como foi feita a montagem do filme como um todo é fantástica. Desde o início, quando Max está fugindo, até a cena da perseguição final, o filme tem uma linearidade espetacular, fazendo a história de tirar o fôlego o tempo todo!

Mad Max

Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som

Com relação às duas categorias que envolvem o som eu devo dizer que, apesar de termos um Star Wars na disputa, Mad Max não poderia perder. As explosões, os potentes motores e tudo o mais que fazem do filme a sensação que foi vão ao extremo da qualidade nesse filme.

Melhor Direção de Arte

Fica até difícil falar algo sobre a direção de arte de Mad Max. Tudo no filme salta aos olhos, principalmente os carros, cada um mais maluco e incrível que o outro, passando pelo caminhão com um enorme conjunto de alto falantes que tem lá uma das grandes sacadas do filme: Coma-Doof Warrior, um cego cabeludo que passa o tempo todo tocando uma guitarra que cospe fogo. O QUE MAIS PRECISO FALAR???

Melhor Maquiagem e Penteados

Aqui eu foco principalmente a maquiagem de Immortan Joe. Ela dá realmente um ar vilanesco e até um tanto macabro ao personagem sem ele precisar abrir a boca (quando ele o faz o kit é completo com aquela voz rouca sinistra).

Mad Max 2

Melhor Figurino

Um banho de qualidade naquela coisa chata de época que costuma levar. As roupas de couro, botas e apetrechos deram ao ar apocalíptico do filme o necessário pra ser crível.





Após o Oscar pt. 2: Sylvester Stallone

2 03 2016

No segundo texto sobre o Oscar eu vou falar sobre a maior injustiça cometida pela Academia nos últimos anos. Sylvester Stallone teve sua grande chance em todos esses anos, a ponto de ter sido premiado por sua bela atuação no ótimo Creed (um spin-off da série Rocky) e acabaram desperdiçando a chance de fazer uma bela homenagem ao ator.

Vou focar aqui apenas no caminho trilhado por Stallone no mundo de Rocky pra basear minha opinião, apesar de eu gostar de diversas outras obras dele.

Em 1976 chegou ao cinema um modesto filme sobre um boxeador que acaba conseguindo uma chance de ouro de enfrentar o campeão mundial. Seu nome é Robert “Rocky” Balboa, um rapaz simples da Filadélfia que trabalhava nas docas enquanto treinava com Mickey. Ele fazia apenas pequenas lutas e não se interessava em fazer grandes lutas, e tinha uma namorada chamada Adrian, que era superprotegida por seu irmão Paulie, que não ia com a cara de Balboa. Em certo momento Rocky é convidado a enfrentar Apollo Creed, o campeão mundial. Ele passa a treinar sério para essa luta, em cenas memoráveis até hoje, 40 anos depois. Após um duelo épico, a luta termina empatada e Apollo acaba mantendo o cinturão. Esse primeiro filme surpreendeu a todos, levando o maior prêmio do Oscar 1977: melhor filme, além de melhor edição de filme e melhor diretor (o filme teve ainda outras sete indicações, inclusive melhores ator e atriz para Stallone e Talia Shire).

Stallone Rocky 1

Em 1979 tivemos a revanche entre Rocky e Apollo. Enquanto Apollo provocava Rocky sempre que podia, Balboa não conseguia se concentrar no treino, muito devido à gravidez de Adrian, que também não queria que Rocky lutasse outra vez com Apollo. Quando Adrian, pressionada por Paulie a permitir que Rocky lutasse, sente-se mal e acaba internada em coma, Rocky acaba esquecendo-se completamente dos treinos e fica o tempo todo ao lado de Adrian no hospital. Quando ela acorda do coma, Rocky diz a ela que não lutaria se ela não quisesse, e ela pede a ele que vença a luta. Rocky então passa a treinar pesado pra luta. Apollo chega confiante de uma vitória rápida, mas uma mudança de estratégia (Rocky é canhoto e passa a também usar a direita) e ao treinamento que o faz suportar a luta até o último assalto ele acaba conseguindo uma vitória por nocaute, e sagra-se o novo campeão mundial de boxe!

Stallone Rocky 2

Em 1982 voltamos ao mundo de Rocky. Balboa defendeu seu título por 10 vezes, e nas 10 vezes saiu-se vencedor. Rocky então passa a pensar em aposentadoria, muito ainda devido ao estado de saúde já debilitado de Mickey, mas um jovem que vinha subindo no ranking acaba pedindo a Rocky uma luta pelo título. Conhecemos então Clubber Lang. Numa discussão entre Rocky e Lang Mickey é empurrado e sente-se mal. Rocky, abalado pelo estado de Mickey, sofre uma derrota avassaladora e perde o título. Após a luta Mickey acaba falecendo, levando Rocky a cair numa depressão que parecia irreversível. Mas Apollo entra em cena e passa a treinar Rocky, que acaba se recuperando e volta a lutar contra Lang, desta vez obtendo a vitória e retomando o título!

Stallone Rocky 3

1985 chega com um capitão soviético, em visita aos Estados Unidos, e que deseja enfrentar o campeão mundial numa luta-exibição. Apollo diz a Rocky que está insatisfeito com a aposentadoria, e pede para trocar de lugar com Rocky na luta contra o gigante soviético, chamado Ivan Drago, e Rocky concorda. A luta chega. Apollo entra, ao som de James Brown, menosprezando Drago dizendo que ele é apenas um iniciante. Mas quando a luta começa o soviético mostra que não é bem assim e massacra Apollo, que acaba falecendo devido aos pesados golpes de Drago. Rocky resolve que quer uma luta com Drago em busca de vingança, que é vetada pela Associação de Boxe. Sendo assim, Rocky vai até a União Soviética e passa a treinar com Duke, o antigo treinador de Apollo. Com um duro treinamento de Rocky contra o treinamento em laboratório de Ivan Drago, a duríssima luta ocorre em Moscou, com Drago tendo uma apresentação tão pomposa quanto a de Apollo (com a diferença de ser pomposa num sentido militar). Drago imaginava que venceria com facilidade, mas o treinamento de Rocky fez efeito e ele conseguiu aguentar os pesadíssimos golpes de Drago, levando a luta até o último assalto, onde nenhum dos dois mais possuíam forças pra lutar. Num último esforço, ambos acertam seus golpes e vão à lona. Na contagem de 10 do juiz apenas Rocky se levanta, vencendo a luta. Com um belo discurso, que fez todos os presentes o aplaudirem de pé, Rocky volta aos Estados Unidos.

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Em 1990 ficamos sabendo que Rocky descobre que foi à falência graças a seu contador. Ele volta a morar na Filadélfia e resolve treinar um promissor garoto chamado Tommy “Machine Gun” Gunn. Ele enfrenta problemas com seu filho durante esse tempo, mas mesmo assim consegue fazer com que Tommy alcance ótimos resultados em suas lutas. Porém o público e a imprensa dizem que Tommy é apenas a sombra de Rocky, o que o deixam enfurecido. É nesse momento que um empresário acaba levando Gunn e influenciando-o a exigir uma luta com Rocky, que estava proibido de lutar por indicação médica, que dizia que ele poderia morrer se prosseguisse. Mas Tommy está num estado de fúria incontrolável, o que leva os dois a um “street fighter” literalmente. Rocky acaba saindo vencedor e consegue fazer as pazes com seu filho Rocky Jr.

Stallone Rocky 5

Chega 2006, 16 anos após o último filme de Rocky, e encontramos Rocky aposentado, dono de um restaurante e agora viúvo. Seu filho Rocky Jr. trabalha em uma empresa e tem vergonha de seu pai. Conhecemos então Mason “The Line” Dixon, o atual campeão mundial de boxe, invicto após diversas lutas. Porém Dixon é rejeitado pelo público e pela mídia, que o consideram pouco carismático e que ele é campeão porque nunca enfrentou alguém que realmente fosse forte. Então um canal bola uma luta virtual entre Mason e Rocky no auge. Rocky vence a luta virtual. Quando todos passam a comentar sobre isso os empresários de Mason resolvem falar com Rocky sobre uma luta, que após pensar por um tempo resolve aceitar. Seu filho, inconformado, vai até seu pai lhe passar sermão. Mas é Rocky quem, com um discurso épico, acaba fazendo seu filho pensar melhor e apoiar seu pai. Rocky treina forte mais uma vez, com a ajuda de Duke, Paulie, Rocky Jr. e Marie, uma velha amiga. A imprensa trata isso com ceticismo, dizendo que Rocky será rapidamente nocauteado. Mas quando a luta acontece descobrimos que Rocky ainda tinha um monstro para libertar de dentro de si, e faz isso lutando bravamente e levando a luta até o fim do último assalto. Dixon vence por pontos, mas todos aplaudem Rocky, dizendo que ele era um verdadeiro campeão, num final emocionante!

Stallone Rocky Balboa

Então chegamos a 2015. Conhecemos um garoto chamado Adonis Johnson, que vive em reformatórios após a morte de sua mãe. Então uma mulher resolve adotá-lo, dizendo que conhecia seu pai, que era ninguém menos do que Apollo Creed. Com o tempo o garoto estuda e trabalha em uma empresa, mas seu lado lutador, que já aflorara quando criança, sempre esteve lá, e Adonis faz lutas clandestinas quando possível. Ele então fica certo de que trabalhar preso em escritório não é sua vida, sai do emprego e de sua casa e vai pra Filadélfia, em busca do melhor amigo de seu falecido pai: Rocky Balboa. Ele então pede que Rocky o treine, mas Balboa insiste em dizer que não treina mais ninguém (lembremos-nos de como foi horrível com Tommy Gunn). Mas com o tempo ele, que agora está mais sozinho do que nunca sem sua esposa, sem Paulie e com seu filho com difícil contato, resolve então dar uma chance a Adonis e passa a treiná-lo. Adonis também está enrolado com uma vizinha, que é cantora. Adonis vence sua primeira luta após o início do treinamento de Rocky, mas então a mídia descobre que Adonis é filho de Apollo Creed. Nesse meio tempo temos o campeão mundial Ricky Conlan prestes a ser preso, e ele busca então uma última luta. Como ele consegue arrebentar o seu adversário numa entrevista, então o empresário de Conlan tenta convencer Adonis a lutar, mas com a condição de que Adonis use o sobrenome Creed ao invés de Johnson. Adonis fica relutante, mas acaba aceitando. Porém Rocky acaba descobrindo que precisa lutar mais uma vez, dessa vez contra um câncer. Rocky, lembrando que Adrian lutou também contra um câncer e perdeu, não está disposto a isso. Adonis, ao saber disso, fala com Rocky que só continuaria seu treino se Rocky também lutasse contra seu problema. Rocky aceita, e ambos passam a se ajudar mutuamente, em momentos pra lá de tocantes. Então chegamos a luta, que nos rememora as belas lutas da série Rocky. Adonis perde, mas descobre que realmente está no caminho que ele sempre quis pra si. E no final, claro, temos uma cena das mais tocantes de Adonis e Rocky na escadaria, fechando com chave de ouro!

Stallone Creed

Muito bem, eu tracei toda essa história por um motivo: Stallone, assim como DiCaprio, já fazia por merecer um Oscar, se for dito pelo “conjunto da obra”. Mas não é só por isso. A atuação de Stallone nesse filme é realmente tocante e muito sincera, tanto que ele levou o Globo de Ouro e chegou ao Oscar como favorito. Mas Mark Rylance acabou levando (e aqui fica minha opinião: ele esteve incrível em Ponte dos Espiões), deixando muita gente, eu incluso, bem triste. Apesar da ótima atuação de Rylance eu considero que tanto Stallone quanto Tom Hardy (em O Regresso) foram superiores a ele, Stallone ainda um pouco acima. Mas bom, paciência. Como eu vi alguém dizendo no twitter “o Oscar perdeu a chance de um belo discurso”.

Stallone Golden Globe





Após o Oscar pt. 1: Leonardo DiCaprio

29 02 2016

Lá se foi a premiação mais importante do mundo do cinema! Teve de tudo no Oscar desse ano: Chris Rock causando, o urso esperando seu prêmio, o fim do mais antigo meme da história e o testemunho do trator de esteira que arrebatou o maior número de prêmios da noite.

88th Annual Academy Awards - Press Room

Mas eu vou focar em apenas três pontos que mais mexeram comigo nesse ano, que vou tratar em três posts distintos: o primeiro é sobre a, em minha opinião, injusta vitória de Leonardo DiCaprio para melhor ator.

Leonardo DiCaprio teve sua primeira indicação em 1994, como ator coadjuvante do filme Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (What’s Eating Gilbert Grape), sendo derrotado por Tommy Lee Jones no filme O Fugitivo (The Fugitive). Mas ali ele já dava demonstração de que teria um belo futuro pela frente.

DiCaprio Gilbert Grape

Após isso ele teve uma sequência de bons filmes, como Rápida e Mortal (The Quick and the Dead), Diário de um Adolescente (The Basketball Diary) e Romeu + Julieta (Romeo + Juliet). E em 1997 ele chegou ao cinema com o grandioso Titanic (que até hoje tem a segunda melhor bilheteria de todos os tempos). Nesse filme ele foi elevado ao estrelato, apesar de não ter sido indicado ao Oscar. Em realidade ele só voltaria a ser indicado ao Oscar em 2005.

Hoje sabemos que Titanic quase foi o fim da carreira de DiCaprio (o rapaz, à época com seus 22 anos) sentiu a pressão da fama e quase desistiu de atuar. Mas acabou desistindo da ideia, e teve outros ótimos filmes no currículo, como O Homem da Máscara de Ferro (The Man in the Iron Mask), Gangues de Nova York (Gangs from New York) e Prenda-me se for Capaz (Catch me if you Can). Mas chegamos em 2004, e saiu O Aviador (The Aviator), uma cinebiografia do magnata Howard Hughes, e no ano seguinte DiCaprio voltou a ser indicado. DiCaprio era um dos favoritos novamente, mas acabou derrotado por Jamie Foxx, que naquele ano viveu Ray Charles na cinebiografia Ray.

DiCaprio O Aviador

Em 2006 DiCaprio esteve em dois filmes fantásticos: Diamante de Sangue (Blood Diamond) e Os Infiltrados (The Departed). DiCaprio foi indicado ao Oscar pelo primeiro, e mais uma vez foi derrotado, dessa vez por Forest Whitaker pelo filme O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland), no papel do sanguinário Rei Idi Amin, ditador de Uganda.

DiCaprio Diamante

Entre 2007 e 2013 ele ainda apareceu em outros ótimos filmes, entre eles Ilha do Medo (Shutter Island), A Origem (Inception), J. Edgar e Django Livre (Django Unchained). Mas em 2013 viria o filme pelo qual ele seria indicado pela quarta vez ao Oscar em 2014: O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street). Sucesso de crítica DiCaprio via enfim sua melhor chance desde O Aviador. Mas outra vez foi derrotado, e dessa vez por Matthew McConaughey pelo belo Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club). E mais uma vez DiCaprio saiu de mãos abanando.

DiCaprio Lobo Wall Street

DiCaprio passou 2014 sem aparecer em filme algum, mas em 2015 ele deu as caras no filme do diretor que foi premiado como melhor diretor no Oscar e ainda teve o melhor filme laureado: Alejandro González Iñárritu, pelo surreal Birdman. E parecia que dessa vez a “maldição” iria, finalmente, encerrar-se.

DiCaprio ganhou praticamente TODOS os prêmios por sua atuação no filme O Regresso (The Revenant) no caminho pro Oscar, entre eles o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores. E ele chegou ao Oscar super favorito. E na noite de ontem se confirmou, e DiCaprio FINALMENTE levou esse prêmio que ele por tantos anos buscava.

urso

Mas é agora que eu entro com um pensamento que muita gente que conheço tem: DiCaprio não merecia o Oscar esse ano. E a Academia provavelmente deu esse Oscar a ele pelo “conjunto da obra” após ser ignorado por quatro vezes (ao menos três delas que eu concordo que ele merecia MESMO levar). E ainda digo que ele merecia levar em outras vezes onde ele nem foi indicado, como em Django Livre (onde ao menos merecia indicação, e concorreria diretamente com o vencedor pelo mesmo filme Christoph Waltz), A Origem e Prenda-me se for Capaz.

DiCaprio Django

Em O Regresso DiCaprio teve uma atuação, sim, realmente boa. Mas foi uma atuação puramente física. É digna de nota as coisas que ele fez no filme, mas mesmo assim eu não acho que a atuação puramente física dele era o suficiente para levar o prêmio. Eu realmente preferi Tom Hanks em Ponte dos Espiões (Bridge of Spies) ou até mesmo Matt Damon em Perdido em Marte (The Martian). Mas a Academia resolveu que era hora de DiCaprio levar o seu Careca pra casa, e assim foi.

E parabéns ao astro, que há anos já fazia por merecer esse prêmio!

DiCaprio Gatsby





Lá vem o Oscar 2016!

15 01 2016

Como no último post foram os indicados ao Framboesa de Ouro, hoje tem os indicados ao Oscar de 2016!

Bom, basicamente temos “O Regresso” (The Revenant), novo filme do vencedor de melhor diretor do ano passado, Alejandro González Iñárritu, concorrendo a 12 Oscars. Na cola dele temos o surpreendente “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road), do diretor George Miller, com 10 indicações.

Bom, vamos aos indicados! Na tabela estará em itálico minhas apostas e com asterisco (*) minha torcida.

FILME

“A Grande Aposta”
“Ponte dos Espiões”
“Brooklyn”
“Mad Max: Estrada da Fúria” *
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“O Quarto de Jack”
“Spotlight – Segredos Revelados”

DIREÇÃO

Adam McKay, “A Grande Aposta”
George Miller, “Mad Max: Estrada da Fúria” *
Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso”
Lenny Abrahamson, “O Quarto de Jack”
Tom McCarthy, “Spotlight: Segredos Revelados”

ATOR

Bryan Cranston, “Trumbo – Lista Negra”
Leonardo DiCaprio, “O Regresso” *
Eddie Redmayne, “A Garota Dinamarquesa”
Michael Fassbender, “Steve Jobs”
Matt Damon, “Perdido em Marte”

ATOR COADJUVANTE

Christian Bale, “A Grande Aposta”
Tom Hardy, “O Regresso”
Mark Ruffalo, “Spotlight – Segredos Revelados”
Mark Rylance, “Ponte dos Espiões”
Sylvester Stallone, “Creed: Nascido Para Lutar” *

ATRIZ

Cate Blanchett, “Carol” *
Brie Larson, “O Quarto de Jack”
Jennifer Lawrence, “Joy: O Nome do Sucesso”
Charlotte Rampling, “45 Anos”
Saoirse Ronan, “Brooklyn”

ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Jason Leigh, “Os Oito Odiados” *
Rooney Mara, “Carol”
Rachel McAdams, “Spotlight”
Alicia Vikander, “A Garota Dinamarquesa”
Kate Winslet, “Steve Jobs”

ROTEIRO ORIGINAL

“Ponte dos Espiões”
“Ex-Machina: Instinto Artificial”
“Divertida Mente” *
“Spotlight: Segredos Revelados”
“Straight Outta Comptom – A História de N.W.A”

ROTEIRO ADAPTADO

“A Grande Aposta”
“Brooklyn”
“Carol”
“Perdido em Marte” *
“O Quarto de Jack”

DOCUMENTÁRIO

“Amy”
“Cartel Land”
“The Look of Silence”
“O Que Aconteceu, Miss Simone?”
“Winter on Fire”

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

“Body Team 12”
“Chau, beyond the Lines”
“Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah”
“A Girl in the River: The Price of Forgiveness”
“Last Day of Freedom”

MONTAGEM

“A Grande Aposta”
“Mad Max: Estrada de Fúria” *
“O Regresso”
“Spotlight: Segredos Revelados”
“Star Wars: O Despertar da Força”

MAQUIAGEM E CABELO

“Mad Max: Estrada da Fúria” Lesley Vanderwalt, Elka Wardega and Damian Martin *
“The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared” Love Larson and Eva von Bahr
“O Regresso” Siân Grigg, Duncan Jarman and Robert Pandini

TRILHA SONORA ORIGINAL

“Ponte dos Espiões” Thomas Newman
“Carol” Carter Burwell
“Os Oito Odiados” Ennio Morricone *
“Sicário: Terra de Ninguém” Jóhann Jóhannsson
“Star Wars: O Despertar da Força” John Williams

DESIGN DE PRODUÇÃO

“Ponte dos Espiões”
“A Garota Dinamarquesa”
“Mad Max: Estrada da Fúria” *
“Perdido em Marte”
“O Regresso”

CURTA-METRAGEM

“Ave Maria”
“Day One”
“Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)”
“Shok”
“Stutterer”

ANIMAÇÃO

“Anomalisa”
“O Menino e o Mundo”
“Divertida Mente” *
“Shaun, o Carneiro”
“As Memórias de Marnie”

CURTA DE ANIMAÇÃO

“Bear Story”
“World of Tomorrow”
“Prologue”
“We Can’t Live Without Cosmos”
“Os Heróis de Sanjay”

FILME ESTRANGEIRO

“O Abraço da Serpente” (Colômbia)
“Cinco Graças” (França)
“O Filho de Saul” (Hungria)
“Theeb” (Jordânia)
“A War” (Dinamarca)

FOTOGRAFIA

“Carol”
“Os Oito Odiados” *
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Sicário: Terra de Ninguém”
“O Regresso”

FIGURINO

“Carol” – Sandy Powell
“Cinderella” – Sandy Powell
“A Garota Dinamarquesa” – Paco Delgado
“Mad Max: Estrada da Fúria” – Jenny Beavan *
“O Regresso” – Jacqueline West

CANÇÃO ORIGINAL

“Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza” (Abel Tesfaye/Ahmad Balshe/Jason Daheala/Stephan Moccio)
“Manta Ray”, de “A Corrida contra a Extinção” (J. Ralph/Antony Hegarty)
“Simple Song #3”, de “Juventude” (David Lang)
“Til It Happens To You”, de “The Hunting Ground” (Diane Warren/Lady Gaga)
“Writing’s On The Wall”, de “007 contra Spectre” (Jimmy Napes/Sam Smith) *

EFEITOS VISUAIS

“Ex Machina”
“Mad Max: Estrada da Fúria” *
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”

EDIÇÃO DE SOM

“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em marte”
“O Regresso”
“Sicário: Terra de Ninguém”
“Star Wars: O Despertar da Força” *

MIXAGEM DE SOM

“Ponte dos Espiões”
“Mad Max: Estrada da Fúria” *
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”





#Kilgravemeobrigou *ou Jessica Jones*

26 11 2015
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Logo da série do Netflix

Jessica Jones, nova série da parceria Marvel/Netflix, chegou ao serviço de stream na última sexta, dia 20. Eu, pela primeira vez, resolvi fazer uma maratona no sentido real da coisa e finalizei a primeira temporada no começo da madrugada do dia 21.

Então, #Kilgravemeobrigou a vir aqui pra escrever algo sobre a série.  Eu não conheço muito bem a personagem, porque só a vi no arco da Guerra Civil, então vou tentar fazer o melhor possível aqui.

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Apenas escreva, ok?

Jessica Jones foi criada pelo conceituado roteirista de quadrinhos Brian Michael Bendis (autor também de Ultimate Homem Aranha, que nos apresentou o ótimo personagem Miles Morales). Ela apareceu primeiramente na série Alias, que após 28 edições foi cancelada, mas a personagem continuou aparecendo em outras publicações da editora.

Partindo pra série, logo no começo já somos apresentados a Jessica Jones (vivida pela atriz Krysten Ritter, de Breaking Bad) e seu trabalho como investigadora particular. Ela é contratada pelos pais de uma jovem desaparecida para tentar encontrá-la, enviados por alguém da delegacia. Conforme o episódio caminha vai-se abrindo o leque para a verdade do caso, e ele está diretamente ligado a Jessica.

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Jessica em ação

Mas se engana quem pensa que a série é simplesmente sobre uma ex-heroína que resolveu virar investigadora particular e os casos que ela se envolve. Nada é tão simples assim. Como já li no Judão, uma semana antes da estreia da série no Netflix, ela trata mais na verdade de abuso, perpetrado pelo vilão Kilgrave (um fantástico David Tennant, o 10º Doutor). Mas o abuso não é apenas físico, é também psicológico. Kilgrave consegue poder total sobre qualquer pessoa, e com Jessica não foi diferente, como a série trata de demonstrar nos flashbacks na personagem.

Aliás, uma coisa realmente interessante é como os personagens são bem equilibrados (fato bem observado por uma amiga), e não apenas os principais. Temos uma gama de personagens muito bem trabalhados no decorrer dos episódios, sejam eles principais como Jessica, Kilgrave e Trish Walker (Rachael Taylor, do filme A Hora da Escuridão) ou secundários, como Will Simpson (Wil Traval, o Xerife de Nothingham de Once Upon a Time), o detetive Clemons (Clarke Peters, de Person of Interest) ou a advogada Jeri Hogarth (vivida pela eterna Trinity de Matrix, Carrie-Anne Moss).

Temos aqui também uma ligação com uma série futura da Netflix. Luke Cage (Mike Colter, Nick Donovan na ótima série The Following) também tem um tipo de superpoder, mas evita ao máximo demonstrá-lo. Ele é dono de um bar em Hell’s Kitchen, e tem um papel importante já aqui em Jessica Jones.

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Luke Cage, só observando.

De um modo geral a Netflix, mais uma vez, acertou em cheio. É uma série mais psicológica do que Demolidor, mas que tem também sua boa quantidade de violência (afinal estamos falando de Hell’s Kitchen). Mas eu coloco Jessica Jones à frente de Demolidor, principalmente pelo vilão incrível que é Kilgrave (e olha que o Wilson Fisk de Vincent D’Onofrio foi arrebatador). Agora é aguardar as próximas jogadas desse duo Netflix/Marvel. Já temos confirmada a segunda temporada de Demolidor, uma primeira de Luke Cage, além de ainda confirmarem a primeira temporada de Punho de Ferro e uma futura série dos Defensores (reunindo essa turma toda).





Sobre o Texto Apocalíptico do Blog do Matias com Relação a DC

15 07 2015

Depois de terminar de ler o texto do blog do Matias no UOL sobre a sensação dele que, após ver o segundo trailer de “Batman v Superman”, sente que esse é um prenúncio do declínio dos filmes de super heróis no cinema (aos que se ainda não leram e se interessarem: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/07/14/por-que-batman-vs-superman-pode-enterrar-os-filmes-de-super-heroi/) resolvi pegar trechos do texto e dizer o que acho.

O tom frio e pesado do trailer, típico de seu diretor, apaixonado pelo conceito de fim de mundo e por uma paleta escura e cinza-azulada de cores, me pareceu uma colcha de retalhos fúnebre de tudo que poderíamos esperar do pior estereótipo de um filme de super-heróis. Parecia que estava assistindo a uma lápide em quadrinhos.”

Interessante nesse caso é que, fora a série do Flash, tudo o que vemos nos últimos tempos da DC em mídias televisivas/cinematográficas é algo mais sombrio. Isso é algo que a própria DC decidiu, não exatamente o Zack Snyder. Basta ver o remake de “Madrugada dos Mortos” ou “A Lenda dos Guardiões” e até mesmo “300” que você nota que isso é um bocado exagerado. Talvez “Watchmen” e “Sucker Punch” se incluam nisso, mas em ambos os casos se fez necessário tal artifício!

“É tanta informação, tantos acontecimentos enfileirados e acumulados, tantas frases de efeito e clichês visuais que o filme parece uma paródia mal-humorada de um gênero que não é propriamente um gênero.”

Então quer dizer que um trailer que quer mostrar o quanto o filme seguirá diversas coisas de HQs clássicas não pode porque é excesso de informação? Melhor isso do que entregar coisas vitais da história, como aconteceu com “Vingadores: Era de Ultron” e “Exterminador do Futuro: Gênesis”. E sinceramente não achei nada exagerado. Mas sim, concordo que o gênero de filmes super-heróis não é propriamente um gênero.

Esse filme vai ter quantas horas, cinco? Eles vão conseguir enfiar toda essa história em menos de duas horas e meia e ainda fazer sentido? Com certeza Zack Snyder fará uma versão com o dobro do tamanho para lançar no DVD, incluindo tudo aquilo que ele queria colocar na versão original e teve que cortar, afinal de contas ele é uma versão caricata do cineasta nerd personificado por Peter Jackson, quase uma versão Bizarro do autor da épica adaptação do Senhor dos Anéis.”

Sim, acho possível ele conseguir encaixar tudo aquilo no filme. E duvido MUITO que tenha menos de 2 horas e meia de filme. Creio que chegará próximo das 3 horas, como quase aconteceu com “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” de Christopher Nolan. E acho ainda mais exagerado dizer que Zack Snyder é uma versão caricata de cineasta nerd. Vejo ele algo como um nerd sim, mas não exatamente como Peter Jackson ou até mesmo Joss Whedon. Ele se aproxima mais do estilo do Guillermo Del Toro (ao menos quando resolve fazer algo mais pessoal como “Sucker Punch”).

E justamente por isso ele pode ser o cara que enterre de vez essa onda de super-heróis no cinema: não a iniciada pela Marvel com o Homem de Ferro, ou a iniciada pela Marvel no primeiro Homem Aranha ou a iniciada pela Marvel nos primeiros experimentos em Blade, ainda nos anos 90. Mas aquela iniciada pela DC no final dos anos 70, com o mítico primeiro filme do Super-Homem, e seguida pela própria DC dez anos depois, com o pitoresco primeiro filme do Batman, de Tim Burton.”

Aí o cara exagerou um bocado. Seja no fato de falar que ele pode enterrar a onda de super-heróis iniciada pela DC nos anos 70, seja no fato de achar o “Batman” de Tim Burton pitoresco. Essa alcunha cabe aos horríveis (mas ainda divertidos) e coloridos “Batman” de Joel Schumacher. Bom, talvez o divertido caiba só em “Batman Eternamente”, porque “Batman e Robin realmente é horrível em todos os aspectos.

Por melhores que sejam todos os heróis da Marvel, eles ficam em segundo plano à sombra dos mitológicos Super-Homem e Batman. Os dois luminares da DC são os alicerces tanto do quadrinho pop quanto da genealogia do herói fictício moderno, mas fora o primeiro filme do Super em 1978 e a trilogia de Christopher Nolan com o Batman quase tudo que a DC tentou fazer no cinema funcionou mal.”

Acho temerário dizer que nenhum personagem da Marvel consiga se igualar ao Superman ou ao Batman. Homem Aranha tá aí pra não me deixar mentir. Ou até mesmo os X-Men. Ok, talvez os dois da DC sejam maiores, mas falar que os da Marvel ficam em segundo plano é um exagero enorme.

Os dois últimos filmes do Super-Homem só não foram o fundo do poço porque conseguiram fazer um filme de super-herói pior que a Mulher-Gato de Halle Berry quando Ryan Reynolds encarnou o Lanterna Verde.”

“Superman: O Rertorno” é realmente um filme ruim, mas “O Homem de Aço” é um ótimo filme, que a galera resolveu achar que é péssimo por motivos de destruição de Metrópolis e o Supinho matar o Zod (se vier falar sobre spoiler eu simplesmente ignoro). Mas o fundo do poço, realmente, se chama “Mulher-Gato”.

Assistir ao trailer desse encontro épico de mitologias me causou essa péssima impressão de um filme realizado a partir de estatísticas, previsões, finanças e outras análises cruas e hiperbolizadas do que “o mercado” pode querer, como se o mercado não fôssemos nós mesmos. Presos em suas salas de brainstorm, os “criativos” da Warner só conseguem pensar em um filme que funcione nas redes sociais, nas prateleiras de brinquedos e em diferentes janelas de exibição (primeiro cinema, depois vídeo on demand, depois DVD, depois TV a cabo, depois filme no avião, depois TV aberta, etc.) do que um filme que seja bom na tela de cinema.”

Quer dizer que o filme tem que ser bom na tela de cinema e pode fracassar no resto? Porque já vi casos de filmes que foram fracassos horrendos no cinema e que se tornaram clássicos anos depois graças aos lançamentos em VHS/DVD, como “Blade Runner” ou até mesmo o hoje considerado clássico “Clube da Luta”. Ou pior ainda: “Um Sonho de Liberdade”, tido como um dos melhores filmes da história, fracassou como poucos na bilheteria e só se pagou graças ao lançamento em home video.

A impressão que tive com esse excesso de informações desse primeiro trailer como se conseguissem pendurar qualquer coisa relacionada ao ideário básico dos dois personagens pra ter a certeza de que o público reconheceria tudo.”

Isso eu quase concordo com ele, porém acho que funcionou bem melhor do que isso. Como disse lá em cima, é mais um modo de dizer que farão uma homenagem a diversas histórias clássicas dos personagens, principalmente “The Dark Knight Returns”, a maravilhosa HQ de Frank Miller e até mesmo a morte de Jason Todd pelas mãos do Coringa. E eu acredito que isso tudo tem um motivo: o fato de eles não quererem fazer toda uma história de início pra todo mundo (já que a galera tá mais que acostumada com os personagens) e apenas tentar conectar as histórias dos novos filmes da DC de modo geral.

Batman vs. Superman também é o auge dessa fase sem criatividade de Hollywood em geral. A maioria das produções de hoje em dia limita-se a pegar uma história que o público conheça de outras plataformas (livros, quadrinhos, videogames, programas de TV, jogos de tabuleiro e do próprio cinema, em remakes, prequels e continuações) e reconta-la de forma que ela possa oferecer o mínimo risco financeiro, sem brecha nenhuma pra o exercício da criatividade e da ousadia narrativa. Mas essa fase sem originalidade da indústria do cinema talvez não seja mais uma fase e tenha se tornado a forma de sobrevivência deste mercado…”

Esse é o único ponto do texto dele em que eu sou obrigado a concordar. Hollywood já tá carente de originalidade há tempos. São poucos filmes que tentam vir como um ar de novo. O último diretor que tentou dar novos ares acabou sumindo: M. Night Shyamalan, que entrou no ostracismo depois de um ótimo começo e acabar vindo com fracassos sequenciais. Aliás, se Hollywood olhasse com carinho pra Bollywood veria quanta coisa boa pode vir de lá!

“Mas o encontro dos alter-egos de Bruce Wayne e Clark Kent programado para o ano que vem parece hiperbolizar tudo de uma forma vazia e puramente visual que até pode funcionar no primeiro fim de semana, mas não vai justificar o investimento do estúdio nessas marcas. O Esquadrão Suicida, o Vingadores de supervilões planejado para estrear logo depois, segue exatamente essa linha exagerada, gráfica e sem nenhuma sutileza, como se a DC tivesse se tornado o equivalente da Image nos quadrinhos nos anos 90 – pior, nos fazendo torcer para os vilões. Resta saber se isso vai funcionar. Eu aposto que não.”

Falar que o filme não vai sobreviver ao primeiro fim de semana, e ainda achar que “Esquadrão Suicida” não vai funcionar por motivos de serem vilões agindo como heróis? Esse cara vive numa galáxia à parte, né? Wolverine é um anti-herói clássico. Gru, em “Meu Malvado Favorito”, é um vilão e você torce pra ele desde o começo (até que ele fica bom, mas isso não vem ao caso). Pô, vilões são amados desde sempre: Darth Vader e Hannibal Lecter são dois casos explícitos disso!

“E aposto que o fracasso dessa superprodução vai fazer os estúdios, diretores e produtores a começar a repensar o papel do super-herói na pauta da indústria do entretenimento. Isso já aconteceu em outros momentos com outros gêneros dominantes, quando Michael Bay enterrou a boa fase de ficção científica e ação iniciada em Matrix com seus Transformers ou quando Spielberg encerrou a fase Stallone-Schwarzenegger dos filmes de ação ao bater O Último Grande Herói com seu Parque dos Dinossauros, no início dos anos 90.”

Os filmes de super-heróis NUNCA estiveram tão bem. E eu vejo que, se a DC tiver que repensar TUDO de novo, vai ser pra desistir. Porque não é possível que agora que estão conseguindo criar um universo coeso nos filmes eles vão resolver rever tudo.

Isso não afeta em nada os planos da Marvel, que segue dentro de seu nicho bilionário que planejou para os próximos anos. Da mesma forma que o excesso de desenhados animados gerados por computador não abalou a importância da Pixar ou que os clones de Guerra nas Estrelas não tiraram a popularidade da franquia da Lucasfilm. Mas vai ser mais difícil ver obras como Kick Ass, Poder Sem Limites, Megamente, Birdman ou Hancock saírem do papel.”

Sério, tô há meia hora pensando no que dizer desse parágrafo. No meio de filmes de super-heróis realmente é difícil ver coisas diferentes como os citados, que eu ainda incluiria o excelente “Corpo Fechado” do Shyamalan. Mas mesmo dentro do que tem saído ainda existem filmes que ficam fora de uma curva “comum”, como “Capitão América: O Soldado Invernal” ou até mesmo os vindouros “Esquadrão Suicida” e “Deadpool”. O segundo filme do Capitão América é muito mais um filme de espiões do que de super-heróis, e os outros dois vão nos fazer amar vilões. Quer coisa mais legal que isso?!

O sucesso inesperado dos quartos volumes das franquias Parque dos Dinossauros e Mad Max já fez uma luz amarela acender no radar para quem achava que o futuro dos super-heróis era infalível no cinema. E uma das explicações para o sucesso de ambos filmes é a vulnerabilidade dos protagonistas, que desapareceu nessa fase de ouro dos super-heróis do cinema – no novo Parque dos Dinossauros o superser é um dinossauro vilão; no novo Mad Max ninguém é super, só restam armas, carros e máquinas (e uma guitarra que cospe fogo, mas melhor deixar isso pra lá).”

Nesse trecho eu só queria destacar o fato de ele dizer sucesso inesperado pra “Jurassic World”. Muita gente achava que o filme faria sucesso, só talvez não tanto quanto acabou fazendo. E ele menosprezar a guitarra cospe-fogo de “Mad Max” é mimimi demais.

Isso não quer dizer que a DC irá fechar suas portas para o entretenimento além dos quadrinhos, mesmo porque se no cinema ela mais erra que acerta, na televisão tem um histórico mais bem resolvido, desde a série kitsch do Batman nos anos 60 à comédia romântica Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman nos anos 90, passando pela bem sucedida Smallville e as recentes – e elogiadas – Arrow, Flash e Gotham. Cada uma dessas produções tem seu estilo específico, mas consegue fazer a mitologia da DC funcionar sem necessariamente apelar para o excesso de referências, como ocorre com o filme que vai estrear no ano que vem.”

Aqui eu acho que ele atingiu o ápice da asneira. Falar que as séries funcionam sem apelar pro excesso de referências? Talvez, mas todas elas têm tantas referências que fazer até o Capitão América gritar “essa eu entendi!”.

“O lado bom de um fracasso desses também é mais uma vez limpar a página para recomeçar a história de novo – e com outros produtores e diretores, com visões menos mercantis e superdimensionadas de personagens que atravessaram o século passado em nosso imaginário. Pode ser que uma possível ressaca dure uma década, um pouco mais, um pouco menos, mas eu ainda acredito que veremos os melhores filmes do Super-Homem e do Batman num futuro próximo.“

Ele finaliza com essa quase convicção de que tudo da DC vai descambar nos cinemas. E que os melhores filmes de Superman e do Batman ainda virão.  Olha, do Superman talvez, mas do Batman eu vejo como muito difícil superar a trilogia de Christopher Nolan.