O Girl Power de My Little Pony

20 06 2017

O feminismo é um assunto o qual eu não trataria aqui de forma mais sucinta porque não estou dentro dele, então vou apenas usar meu único motivo pra textos recentemente pra tratar sobre o assunto de forma breve.

Muito vem sendo dito sobre a “revolução” causada pelo filme da Mulher Maravilha, como a personagem finalmente deu voz e imagem ao movimento na tela como nunca antes foi visto (exceto, talvez, por Xena, Sarah Connor, Ripley, Lara Croft, Barbarella, Tank Girl, Aeon Flux, Alice… acho que cada vez que penso a lista aumenta, mas ok), e em animações temos recentemente Korra em Avatar: A Lenda de Korra (que ainda vai além, tratando sobre relacionamento homoafetivo de uma forma simplesmente incrível). Mas existe ainda outra obra que eu venho falando onde isso é tratado de forma talvez sutil, mas ainda mais interessante: sim, estou falando de My Little Pony.

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Praticamente 100% das personagens principais são garotas (as Mane Six, as Cutie Mark Crusaders, as princesas e até as vilãs, dando aqui exceção a Discórdia, Rei Sombra e Lorde Tirek entre os principais vilões da série). Até mesmo em Equestria Girls sempre temos uma vilã (ou antagonista) em todos os filmes: Sunset Shimmer no primeiro, As Dazzlings no segundo, Midnight Sparkle no terceiro (apesar de nesse caso eu apostar mais na diretora Cinch como a verdadeira antagonista) e Gloriosa Daisy no quarto. Entre os personagens ditos principais temos apenas DOIS do sexo masculino: o dragão bebê Spike e Big McIntosh, irmão da Applejack.

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Dando mais ênfase às Mane Six, cada uma das personagens tem uma importância dentro do todo, principalmente quando se trata dos Elementos da Harmonia: a honestidade de Applejack, a bondade de Fluttershy, o bom humor de Pinkie Pie, a generosidade de Rarity, a lealdade de Rainbow Dash e a mágica de Twilight Sparkle. Cada elemento separado é o que conduz a personalidade delas, mas unidas elas tem poder o suficiente para derrotar os mais diversos vilões, desde Nightmare Moon no início da série até mesmo as tropas changeling da Rainha Chrysalis. Juntas elas conseguem o poder da amizade, que é o principal foco (mas não o único) da série. Outro ponto interessante é a falta de relacionamentos amorosos das personagens. Em momento algum isso é empurrado goela abaixo do espectador (exceto talvez na busca pelo príncipe encantado de Rarity, mas isso aparece em pouquíssimos episódios). As pôneis são independentes e nunca precisam de uma ajuda extra masculina (e quando isso ocorre é de um modo sutil, mas isso não vem ao caso agora).

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Tratando das princesas, elas são a realeza de Equestria. A única vez que vemos um REI sendo citado é o vilanesco Rei Sombra, que foi combatido E vencido por Celestia e Luna no passado, e depois pelas Mane Six no retorno do Reino de Cristal. Cada princesa tem sua parte no todo: Celestia governa e traz o Sol toda manhã, Luna auxilia sua irmã e traz a Lua toda noite e Cadance é a soberana no Reino de Cristal, ao lado de seu amado Shining Armor. E aqui vai outro ponto: a importante É Cadance, Shining Armor é apenas seu esposo e auxilia como pode com sua magia.

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E mesmo com isso tudo vemos que não é o feminismo sendo forçado, e sim tratado com naturalidade, mostrado que a mulher tem SIM sua força e importância, mas não de modo brusco. E isso é uma das coisas que me faz admirar essa série.

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The Songs of Equestria

10 06 2017

Tudo o que já falei sobre My Little Pony é legal, mas tem algo que é parte importantíssima da série e até agora não tratei: as músicas. Em boa parte dos episódios as músicas dizem muito sobre a situação ou o sentimento das personagens. Vou colocar aqui algumas das minhas preferidas até agora (quinta temporada). E depois faço outro sobre as músicas de Equestria Girls, que também são excelentes!

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This Day Aria
Twilight Sparkle é surpreendida por um convite de casamento: Cadence,a única amiga de infância (e que também era babá dela) vai se casar com seu irmão mais velho, Shining Armor! Twilight fica brava a princípio por não ter sido avisada antes, mas depois fica super feliz com o casório. Mas ela passa a estranhar o comportamento de Cadence (que insiste em ser chamada por seu verdadeiro nome, Mi Amore Candenza). Twilight então passa a perceber que ela está fazendo algo a seu irmão, e tenta impedir. Como ela é desacreditada na situação acaba desistindo, porém Cadence se mostra mesmo má e acaba mandando Twilight pra um lugar longe. Lá Twilight acaba encontrando a verdadeira Cadence, e elas passam a tentar fugir da caverna em que estão para impedir o casamento. O “dueto” entre as duas Cadence (a verdadeira e a que tomou o lugar dela, e logo depois é mostrado quem é ela) é incrível. Mas não apenas por isso, e sim pelas disparidades entre o verdadeiro amor da Princesa Cadence pelo Shining Armor e todo o desprezo pela situação da Cadence falsa, mas que mesmo assim quer aproveitar ao máximo a situação e, mesmo “não tendo lugar em seu coração” ainda quer o noivo só pra ela.

Vídeo de This Day Aria

 

The Pony I Want to Be
Diamond Tiara é uma potrinha de família rica, e por isso passa quase cinco temporadas aporrinhando as Cutie Mark Crusaders por elas serem, como ela mesma diz, “flancos lisos” (Sweetie Belle, Scootaloo e Apple Bloom são chamadas de Cutie Mark Crusaders justamente porque estão em busca de suas cutie marks). Em dado momento Diamond Tiara perde uma eleição na escola pro potrinho que era apoiado pelas Crusaders, e a mãe dela não fica nada satisfeita. É aí que ela canta essa canção, e todos (principalmente as Crusaders) passamos a entender que, no fundo, Diamond é apenas alguém que sofre uma enorme pressão por parte dos pais e não consegue ser ela mesma. Impossível não achar a canção tocante.

Vídeo de The Pony I Want to Be

The Magic Inside
Countess Coloratura é a maior “diva pop” de Equestria. Em dado momento, Pinkie Pie consegue chamá-la para um festival beneficente em Ponyville. Mas aí descobrimos que Applejack era amiga dela de infância, e fica feliz de revê-la tanto tempo depois. O que Applejack não compreende é como ela mudou tanto, até que ela percebe que é tudo graças ao seu empresário Svengallop, que usa do sucesso dela pra conseguir tudo o que quer. Applejack resolve mostrar isso a Coloratura, que fica revoltada com Svengallop, principalmente porque ele não apoia o gosto de Coloratura por ajudar outros pôneis como pode. Ela então canta essa canção após Applejack relembrá-la que o que importa mesmo é o que ela tem dentro de si. Pesquisando sobre essa canção descobri que ela é uma homenagem às canções acústicas de Lady Gaga (e isso fica claro no episódio, que é incrível!).

Vídeo de The Magic Inside

A True True Friend
Twilight Sparkle é incumbida pela princesa Celéstia de tentar completar uma magia de Star Swirl, o Barbudo. Twilight diz o que já se encontra na página do livro e vai dormir. Quando acorda todas as suas amigas estão com suas cutie marks trocadas (demonstada em outra música divertidíssima: What My Cutie Mark is Telling Me). Twilight tenta então entender o que aconteceu, e nem mesmo Zecora consegue auxiliá-la com uma poção pra reverter o ocorrido. Num estalo repentino ela então percebe como resolver a situação: levar cada pônei a relembrar seus verdadeiros “eus”. Assim uma a uma elas vão recuperando suas próprias cutie marks, enquanto vão cantando sobre a importância da verdadeira amizade e estar sempre lá para ajudar suas amigas.

Vídeo de A True True Friend

Hearts Strong as Horses
Os Jogos de Equestria estão chegando, e em cada cidade haverá uma competição para decidir sobre quem carregará a bandeira dela na abertura dos Jogos. As Cutie Mark Crusaders decidem que vão tentar uma apresentação incrível, mas Diamond Tiara e Silver Spoon vão tentar dar um jeito de sabotar as Crusaders para conseguirem a vaga. Na canção as Crusaders cantam sobre como juntas elas são “fortes como cavalos” e tem uma determinação inabalável para conseguir essa oportunidade e, quem sabe, também obter suas cuite marks no processo.

Vídeo de Hearts Strong as Horses

You’ll Play Your Part
Twilight Sparkle se tornou a Princesa da Amizade. Porém ela não anda muito feliz porque ela se sente como apenas uma “peça decorativa”, que não ajuda em nada como gostaria. Nesse momento ela desabafa com as princesas Celestia, Luna e Cadence sobre isso, chegando então a essa música, onde as três princesas mostram a Twilight que no momento certo ela também terá sua parte importante como princesa.

Vídeo de You’ll Play Your Part

Glass of Water
Essa entra aqui por um motivo meio besta: ela é uma das canções do Discórdia! A Princesa Cadence finalmente conseguiu um tempo para visitar Twilight em Ponyville, e Twilight faz de tudo para preparar uma recepção e um roteiro incrível para passar esse tempo junto com Cadence. Mas a equação acaba ruindo quando Discórdia aparece, dizendo estar doente e pede que Twilight cuide dele, já que Fluttershy está viajando. Ele então acaba com o passeio de Twilight e Cadence, cantando essa canção fazendo diversos pedidos em sua convelescença, porém daquele jeito que só o Discórdia consegue fazer!

Vídeo de Glass of Water

The Goof Off
É aniversário de Rainbow Dash, e Pinkie Pie está preparando uma mega festa para ela em Ponyville! O que ela não esperava era o aparecimento de Cheese sandwich, autoproclamado o maior pônei de festas de Equestria! Quando Pinkie é deixada de lado após a chegada de Cheese ela vai até sua casa se lamentar (Pinkie’s Lament, outra ótima canção) e então decide lutar com todas as forças contra Cheese para decidirem quem é o maior pônei de festas: um duelo de bobeiras! Aqui temos um charme a mais: Cheese Sandwich é dublado pelo sensacional “Weird Al” Yankovic!

Vídeo de The Goof Off

May the Best Pet Win
As amigas resolvem passear no parque com seus animais de estimação: Pinky com Gummy, Apllejack com Winona, Rarity com Opalescence, Twilight com Owlowiscious e Fluttershy com Angel. Porém Rainbow Dash não tem nenhum animal pra participar do passeio. Fluttershy então diz a Rainbow que ela tem diversos animais, e que talvez algum deles possa ser perfeito para ela. Rainbow adora a ideia e vai dar uma olhada. A música então trata de Flutteshy dando a Rainbow as mais diversas opções de animais!

Vídeo de May the Best Pet Win

Winter Wrap Up
O inverno acabou, e em Ponyville todos os pôneis ajudam a trazer a primavera, divididas em equipes: uma equipe para retirar a neve e limpar os céus, uma para acordar os animais e preparar os ninhos e afins e uma equipe de plantas para preparar as árvores e plantações para a primavera. A música explica como cada uma das equipes trabalha, enquanto Twilight vai entendendo como as coisas funcionam, pois ela quer ajudar sem utilizar sua magia, pois Ponyville foi fundada por pôneis terrestres sem a ajuda de qualquer magia.

Vídeo de Winter Wrap Up

The Perfect Stallion
Chegou o dia do coração (equivalente ao valentine’s day), e o clima de amor está no ar! As Cutie Mark Crusaders estão preparando um cartão especial para sua professora, Cheerilee. Apple Bloom diz a senhorita Cheerilee o quanto elas sentem um carinho pela professora, e dizem que esse cartão não deve se igualar ao que ela recebeu de seu alguém especial, no que Cheerilee diz que não tem ninguém assim. As Crusaders ficam abismadas e resolvem elas mesmas encontrar alguém para a professora. Na canção elas rodam Ponyville e não conseguem encontrar ninguém, até que um cavalo diz não ter nada especial para aquele dia, e as Crusaders então dizem ter encontrado o garanhão perfeito para a senhorita Cheerilee!

Vídeo de The Perfect Stallion

What My Cutie Mark is Telling Me
Twilight recebe uma incumbência da Princesa Celéstia: finalizar um feitiço criado pelo grande mago Star Swirl, O Barbudo. Twilight lê o feitiço em voz alta, nada acontece e ela vai dormir. Mas ao acordar descobre algo terrível: as cutie marks de suas amigas haviam sido trocadas! Rainbow Dash está com a cutie mark de Fluttershy, Fluttershy com a de Pinkie Pie, Pinkie com a de Applejack, Applejack com a de Rarity e Rarity com a da Rainbow Dash. Na música então cada uma das Mane Six (com exceção de Twilight Sparkle) demonstram como elas têm problemas em fazer o que precisam, mas que mesmo assim precisam tentar pois é isso que suas cutie marks significam.

Vídeo de What My Cutie Mark is Telling Me

At the Gala
Uma noite especial chegou em Canterlot! É o Grande Baile Galopante, que ocorre uma vez por ano no castelo, e as Mane Six estão se preparando para ir ao baile! Na música as pôneis deixam claro suas intenções no Grande Baile, cada qual um desejo especial: Fluttershy quer encontrar os animaizinhos do castelo, Applejack vender os produtos da Família Apple, Rarity encontrar seu príncipe encantado, Rainbow Dash vai provar seu valor aos Wonderbolts, Pinkie Pie fazer de tudo uma grande festa e Twilight Sparkle passar uma noite incrível com a princesa Celéstia.

Vídeo de At the Gala





O Poder da Amizade *ou My Little Pony*

12 03 2017

Alguns anos atrás eu meio que me interessei em assistir My Little Pony. Sem nenhum motivo aparente, apenas achava aquilo bonitinho e fiquei curioso. Mas como sempre protelei e fui deixando pra lá. Mas ano passado o Kinder Ovo veio com surpresas do desenho, e acabei (também por motivos de achei as surpresas bonitinhas) colecionando, e consegui todas as quatro pôneis e as quatro Equestria girls da coleção. Depois disso acabei cedendo à vontade de assistir ao desenho de uma vez por todas.

Foi aí que percebi que demorei demais pra começar a assistir.

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My Little Pony, basicamente, trata da história de Twilight Sparkle, uma pônei (na verdade unicórnio) que é mandada da cidade de Canterlot, onde ela era aprendiz da Princesa Celéstia até Ponyville, uma cidade tipicamente interiorana. Twilight só pensava em seus estudos e não ligava muito para amizades. Mas em Ponyville ela conhece outras pôneis e passa a aprender o valor que a amizade tem, vivendo diversas aventuras ao lado de suas novas amigas Rainbow Dash, Applejack, Rarity, Fluttershy e Pinkie Pie, além do seu fiel ajudante (e amigo) Spike, um dragão bebê.

Eu ainda estou na segunda temporada, mas tudo o que vi até agora me agradou. Superficialmente parece um desenho bobo e infantil, mas o humor leve e agradável, aliado aos aprendizados sobre a importância da amizade tornam esse desenho algo a que pessoas de qualquer idade pode acabar se afeiçoando.

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Enfim, fica aqui a dica: deem uma chance a essa história tão divertida e interessante!





Breve Comentário sobre o Oscar 2017

1 03 2017

Passado o Oscar (que eu, nesse ano, esqueci completamente de fazer minhas apostas) eu poderia falar dos momentos divertidos (como o pessoal aleatório que fez um tour pelo Kodak Theatre e me arrancou gargalhadas ou os doces caindo de paraquedas), poderia falar do trabalho bem legal do Jimmy Kimmel, poderia falar dos prêmios em si e dos seis Oscars que La La Land levou… e poderia até falar da vergonha definitiva que foi a entrega do Oscar de Melhor Filme, quando um auditor da PWC se perdeu completamente postando fotos no Twitter e entregou o envelope errado a Warren Beatty e Faye Dunaway (que graças a isso viraram alvos de chacota até a explicação oficial vir a público). Mas uma coisa pra mim foi mais revoltante, e exige um breve texto meu por aqui: o Oscar de Melhor Maquiagem para Esquadrão Suicida.

Tá, ok. Os fãs fervorosos da DC podem espernear que o prêmio foi justo, dado o ótimo trabalho de maquiagem com Killer Croc, El Diablo e na minha opinião, principalmente, com a Enchantress (eu adorei o visual da personagem, principalmente no começo do filme).

SUICIDE SQUAD

Mas vamos lá caras, olha o trabalho de maquiagem de Star Trek. É, indubitavelmente, ANOS-LUZ (HÁ!) superior. E não falo só de qualidade, falo de QUANTIDADE.

Filmes que envolvem outros planetas sempre nos dão maquiagens dignas de nota, e Star Trek tem feito isso com maestria mesmo durante suas diversas séries de TV (vide os Klingons). Mas é nos filmes, com um orçamento mais servido, que eles mostram o trabalho incrível nos personagens.

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Os mesmos fãs fervorosos da DC ficaram “ain, ganhamos um Oscar e a Marvel perdeu com Doutor Estranho”. Mas isso é óbvio: na categoria em que Doutor Estranho disputou ganhou o filme certo (Mogli), ao contrário da categoria em que o Esquadrão concorreu. E na real pra mim fazia mais sentido Doutor Estranho levar na categoria dele do que o Esquadrão.

E pra finalizar: ao menos a Marvel não levou CINCO Framboesas de Ouro uma noite antes, né? (:

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Após o Oscar pt. 3: Mad Max

7 03 2016

Eu queria falar agora, nesse terceiro e último texto sobre o Oscar, sobre o filme que saiu com mais prêmios na noite. Sim, estou falando de Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road).

Como eu já falei sobre o filme aqui e aqui, dessa vez vai ser só um texto curto, comentando sobre as categorias em que o filme levou.

Melhor Montagem

A forma como foi feita a montagem do filme como um todo é fantástica. Desde o início, quando Max está fugindo, até a cena da perseguição final, o filme tem uma linearidade espetacular, fazendo a história de tirar o fôlego o tempo todo!

Mad Max

Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som

Com relação às duas categorias que envolvem o som eu devo dizer que, apesar de termos um Star Wars na disputa, Mad Max não poderia perder. As explosões, os potentes motores e tudo o mais que fazem do filme a sensação que foi vão ao extremo da qualidade nesse filme.

Melhor Direção de Arte

Fica até difícil falar algo sobre a direção de arte de Mad Max. Tudo no filme salta aos olhos, principalmente os carros, cada um mais maluco e incrível que o outro, passando pelo caminhão com um enorme conjunto de alto falantes que tem lá uma das grandes sacadas do filme: Coma-Doof Warrior, um cego cabeludo que passa o tempo todo tocando uma guitarra que cospe fogo. O QUE MAIS PRECISO FALAR???

Melhor Maquiagem e Penteados

Aqui eu foco principalmente a maquiagem de Immortan Joe. Ela dá realmente um ar vilanesco e até um tanto macabro ao personagem sem ele precisar abrir a boca (quando ele o faz o kit é completo com aquela voz rouca sinistra).

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Melhor Figurino

Um banho de qualidade naquela coisa chata de época que costuma levar. As roupas de couro, botas e apetrechos deram ao ar apocalíptico do filme o necessário pra ser crível.





Após o Oscar pt. 2: Sylvester Stallone

2 03 2016

No segundo texto sobre o Oscar eu vou falar sobre a maior injustiça cometida pela Academia nos últimos anos. Sylvester Stallone teve sua grande chance em todos esses anos, a ponto de ter sido premiado por sua bela atuação no ótimo Creed (um spin-off da série Rocky) e acabaram desperdiçando a chance de fazer uma bela homenagem ao ator.

Vou focar aqui apenas no caminho trilhado por Stallone no mundo de Rocky pra basear minha opinião, apesar de eu gostar de diversas outras obras dele.

Em 1976 chegou ao cinema um modesto filme sobre um boxeador que acaba conseguindo uma chance de ouro de enfrentar o campeão mundial. Seu nome é Robert “Rocky” Balboa, um rapaz simples da Filadélfia que trabalhava nas docas enquanto treinava com Mickey. Ele fazia apenas pequenas lutas e não se interessava em fazer grandes lutas, e tinha uma namorada chamada Adrian, que era superprotegida por seu irmão Paulie, que não ia com a cara de Balboa. Em certo momento Rocky é convidado a enfrentar Apollo Creed, o campeão mundial. Ele passa a treinar sério para essa luta, em cenas memoráveis até hoje, 40 anos depois. Após um duelo épico, a luta termina empatada e Apollo acaba mantendo o cinturão. Esse primeiro filme surpreendeu a todos, levando o maior prêmio do Oscar 1977: melhor filme, além de melhor edição de filme e melhor diretor (o filme teve ainda outras sete indicações, inclusive melhores ator e atriz para Stallone e Talia Shire).

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Em 1979 tivemos a revanche entre Rocky e Apollo. Enquanto Apollo provocava Rocky sempre que podia, Balboa não conseguia se concentrar no treino, muito devido à gravidez de Adrian, que também não queria que Rocky lutasse outra vez com Apollo. Quando Adrian, pressionada por Paulie a permitir que Rocky lutasse, sente-se mal e acaba internada em coma, Rocky acaba esquecendo-se completamente dos treinos e fica o tempo todo ao lado de Adrian no hospital. Quando ela acorda do coma, Rocky diz a ela que não lutaria se ela não quisesse, e ela pede a ele que vença a luta. Rocky então passa a treinar pesado pra luta. Apollo chega confiante de uma vitória rápida, mas uma mudança de estratégia (Rocky é canhoto e passa a também usar a direita) e ao treinamento que o faz suportar a luta até o último assalto ele acaba conseguindo uma vitória por nocaute, e sagra-se o novo campeão mundial de boxe!

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Em 1982 voltamos ao mundo de Rocky. Balboa defendeu seu título por 10 vezes, e nas 10 vezes saiu-se vencedor. Rocky então passa a pensar em aposentadoria, muito ainda devido ao estado de saúde já debilitado de Mickey, mas um jovem que vinha subindo no ranking acaba pedindo a Rocky uma luta pelo título. Conhecemos então Clubber Lang. Numa discussão entre Rocky e Lang Mickey é empurrado e sente-se mal. Rocky, abalado pelo estado de Mickey, sofre uma derrota avassaladora e perde o título. Após a luta Mickey acaba falecendo, levando Rocky a cair numa depressão que parecia irreversível. Mas Apollo entra em cena e passa a treinar Rocky, que acaba se recuperando e volta a lutar contra Lang, desta vez obtendo a vitória e retomando o título!

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1985 chega com um capitão soviético, em visita aos Estados Unidos, e que deseja enfrentar o campeão mundial numa luta-exibição. Apollo diz a Rocky que está insatisfeito com a aposentadoria, e pede para trocar de lugar com Rocky na luta contra o gigante soviético, chamado Ivan Drago, e Rocky concorda. A luta chega. Apollo entra, ao som de James Brown, menosprezando Drago dizendo que ele é apenas um iniciante. Mas quando a luta começa o soviético mostra que não é bem assim e massacra Apollo, que acaba falecendo devido aos pesados golpes de Drago. Rocky resolve que quer uma luta com Drago em busca de vingança, que é vetada pela Associação de Boxe. Sendo assim, Rocky vai até a União Soviética e passa a treinar com Duke, o antigo treinador de Apollo. Com um duro treinamento de Rocky contra o treinamento em laboratório de Ivan Drago, a duríssima luta ocorre em Moscou, com Drago tendo uma apresentação tão pomposa quanto a de Apollo (com a diferença de ser pomposa num sentido militar). Drago imaginava que venceria com facilidade, mas o treinamento de Rocky fez efeito e ele conseguiu aguentar os pesadíssimos golpes de Drago, levando a luta até o último assalto, onde nenhum dos dois mais possuíam forças pra lutar. Num último esforço, ambos acertam seus golpes e vão à lona. Na contagem de 10 do juiz apenas Rocky se levanta, vencendo a luta. Com um belo discurso, que fez todos os presentes o aplaudirem de pé, Rocky volta aos Estados Unidos.

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Em 1990 ficamos sabendo que Rocky descobre que foi à falência graças a seu contador. Ele volta a morar na Filadélfia e resolve treinar um promissor garoto chamado Tommy “Machine Gun” Gunn. Ele enfrenta problemas com seu filho durante esse tempo, mas mesmo assim consegue fazer com que Tommy alcance ótimos resultados em suas lutas. Porém o público e a imprensa dizem que Tommy é apenas a sombra de Rocky, o que o deixam enfurecido. É nesse momento que um empresário acaba levando Gunn e influenciando-o a exigir uma luta com Rocky, que estava proibido de lutar por indicação médica, que dizia que ele poderia morrer se prosseguisse. Mas Tommy está num estado de fúria incontrolável, o que leva os dois a um “street fighter” literalmente. Rocky acaba saindo vencedor e consegue fazer as pazes com seu filho Rocky Jr.

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Chega 2006, 16 anos após o último filme de Rocky, e encontramos Rocky aposentado, dono de um restaurante e agora viúvo. Seu filho Rocky Jr. trabalha em uma empresa e tem vergonha de seu pai. Conhecemos então Mason “The Line” Dixon, o atual campeão mundial de boxe, invicto após diversas lutas. Porém Dixon é rejeitado pelo público e pela mídia, que o consideram pouco carismático e que ele é campeão porque nunca enfrentou alguém que realmente fosse forte. Então um canal bola uma luta virtual entre Mason e Rocky no auge. Rocky vence a luta virtual. Quando todos passam a comentar sobre isso os empresários de Mason resolvem falar com Rocky sobre uma luta, que após pensar por um tempo resolve aceitar. Seu filho, inconformado, vai até seu pai lhe passar sermão. Mas é Rocky quem, com um discurso épico, acaba fazendo seu filho pensar melhor e apoiar seu pai. Rocky treina forte mais uma vez, com a ajuda de Duke, Paulie, Rocky Jr. e Marie, uma velha amiga. A imprensa trata isso com ceticismo, dizendo que Rocky será rapidamente nocauteado. Mas quando a luta acontece descobrimos que Rocky ainda tinha um monstro para libertar de dentro de si, e faz isso lutando bravamente e levando a luta até o fim do último assalto. Dixon vence por pontos, mas todos aplaudem Rocky, dizendo que ele era um verdadeiro campeão, num final emocionante!

Stallone Rocky Balboa

Então chegamos a 2015. Conhecemos um garoto chamado Adonis Johnson, que vive em reformatórios após a morte de sua mãe. Então uma mulher resolve adotá-lo, dizendo que conhecia seu pai, que era ninguém menos do que Apollo Creed. Com o tempo o garoto estuda e trabalha em uma empresa, mas seu lado lutador, que já aflorara quando criança, sempre esteve lá, e Adonis faz lutas clandestinas quando possível. Ele então fica certo de que trabalhar preso em escritório não é sua vida, sai do emprego e de sua casa e vai pra Filadélfia, em busca do melhor amigo de seu falecido pai: Rocky Balboa. Ele então pede que Rocky o treine, mas Balboa insiste em dizer que não treina mais ninguém (lembremos-nos de como foi horrível com Tommy Gunn). Mas com o tempo ele, que agora está mais sozinho do que nunca sem sua esposa, sem Paulie e com seu filho com difícil contato, resolve então dar uma chance a Adonis e passa a treiná-lo. Adonis também está enrolado com uma vizinha, que é cantora. Adonis vence sua primeira luta após o início do treinamento de Rocky, mas então a mídia descobre que Adonis é filho de Apollo Creed. Nesse meio tempo temos o campeão mundial Ricky Conlan prestes a ser preso, e ele busca então uma última luta. Como ele consegue arrebentar o seu adversário numa entrevista, então o empresário de Conlan tenta convencer Adonis a lutar, mas com a condição de que Adonis use o sobrenome Creed ao invés de Johnson. Adonis fica relutante, mas acaba aceitando. Porém Rocky acaba descobrindo que precisa lutar mais uma vez, dessa vez contra um câncer. Rocky, lembrando que Adrian lutou também contra um câncer e perdeu, não está disposto a isso. Adonis, ao saber disso, fala com Rocky que só continuaria seu treino se Rocky também lutasse contra seu problema. Rocky aceita, e ambos passam a se ajudar mutuamente, em momentos pra lá de tocantes. Então chegamos a luta, que nos rememora as belas lutas da série Rocky. Adonis perde, mas descobre que realmente está no caminho que ele sempre quis pra si. E no final, claro, temos uma cena das mais tocantes de Adonis e Rocky na escadaria, fechando com chave de ouro!

Stallone Creed

Muito bem, eu tracei toda essa história por um motivo: Stallone, assim como DiCaprio, já fazia por merecer um Oscar, se for dito pelo “conjunto da obra”. Mas não é só por isso. A atuação de Stallone nesse filme é realmente tocante e muito sincera, tanto que ele levou o Globo de Ouro e chegou ao Oscar como favorito. Mas Mark Rylance acabou levando (e aqui fica minha opinião: ele esteve incrível em Ponte dos Espiões), deixando muita gente, eu incluso, bem triste. Apesar da ótima atuação de Rylance eu considero que tanto Stallone quanto Tom Hardy (em O Regresso) foram superiores a ele, Stallone ainda um pouco acima. Mas bom, paciência. Como eu vi alguém dizendo no twitter “o Oscar perdeu a chance de um belo discurso”.

Stallone Golden Globe





Após o Oscar pt. 1: Leonardo DiCaprio

29 02 2016

Lá se foi a premiação mais importante do mundo do cinema! Teve de tudo no Oscar desse ano: Chris Rock causando, o urso esperando seu prêmio, o fim do mais antigo meme da história e o testemunho do trator de esteira que arrebatou o maior número de prêmios da noite.

88th Annual Academy Awards - Press Room

Mas eu vou focar em apenas três pontos que mais mexeram comigo nesse ano, que vou tratar em três posts distintos: o primeiro é sobre a, em minha opinião, injusta vitória de Leonardo DiCaprio para melhor ator.

Leonardo DiCaprio teve sua primeira indicação em 1994, como ator coadjuvante do filme Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (What’s Eating Gilbert Grape), sendo derrotado por Tommy Lee Jones no filme O Fugitivo (The Fugitive). Mas ali ele já dava demonstração de que teria um belo futuro pela frente.

DiCaprio Gilbert Grape

Após isso ele teve uma sequência de bons filmes, como Rápida e Mortal (The Quick and the Dead), Diário de um Adolescente (The Basketball Diary) e Romeu + Julieta (Romeo + Juliet). E em 1997 ele chegou ao cinema com o grandioso Titanic (que até hoje tem a segunda melhor bilheteria de todos os tempos). Nesse filme ele foi elevado ao estrelato, apesar de não ter sido indicado ao Oscar. Em realidade ele só voltaria a ser indicado ao Oscar em 2005.

Hoje sabemos que Titanic quase foi o fim da carreira de DiCaprio (o rapaz, à época com seus 22 anos) sentiu a pressão da fama e quase desistiu de atuar. Mas acabou desistindo da ideia, e teve outros ótimos filmes no currículo, como O Homem da Máscara de Ferro (The Man in the Iron Mask), Gangues de Nova York (Gangs from New York) e Prenda-me se for Capaz (Catch me if you Can). Mas chegamos em 2004, e saiu O Aviador (The Aviator), uma cinebiografia do magnata Howard Hughes, e no ano seguinte DiCaprio voltou a ser indicado. DiCaprio era um dos favoritos novamente, mas acabou derrotado por Jamie Foxx, que naquele ano viveu Ray Charles na cinebiografia Ray.

DiCaprio O Aviador

Em 2006 DiCaprio esteve em dois filmes fantásticos: Diamante de Sangue (Blood Diamond) e Os Infiltrados (The Departed). DiCaprio foi indicado ao Oscar pelo primeiro, e mais uma vez foi derrotado, dessa vez por Forest Whitaker pelo filme O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland), no papel do sanguinário Rei Idi Amin, ditador de Uganda.

DiCaprio Diamante

Entre 2007 e 2013 ele ainda apareceu em outros ótimos filmes, entre eles Ilha do Medo (Shutter Island), A Origem (Inception), J. Edgar e Django Livre (Django Unchained). Mas em 2013 viria o filme pelo qual ele seria indicado pela quarta vez ao Oscar em 2014: O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street). Sucesso de crítica DiCaprio via enfim sua melhor chance desde O Aviador. Mas outra vez foi derrotado, e dessa vez por Matthew McConaughey pelo belo Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club). E mais uma vez DiCaprio saiu de mãos abanando.

DiCaprio Lobo Wall Street

DiCaprio passou 2014 sem aparecer em filme algum, mas em 2015 ele deu as caras no filme do diretor que foi premiado como melhor diretor no Oscar e ainda teve o melhor filme laureado: Alejandro González Iñárritu, pelo surreal Birdman. E parecia que dessa vez a “maldição” iria, finalmente, encerrar-se.

DiCaprio ganhou praticamente TODOS os prêmios por sua atuação no filme O Regresso (The Revenant) no caminho pro Oscar, entre eles o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores. E ele chegou ao Oscar super favorito. E na noite de ontem se confirmou, e DiCaprio FINALMENTE levou esse prêmio que ele por tantos anos buscava.

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Mas é agora que eu entro com um pensamento que muita gente que conheço tem: DiCaprio não merecia o Oscar esse ano. E a Academia provavelmente deu esse Oscar a ele pelo “conjunto da obra” após ser ignorado por quatro vezes (ao menos três delas que eu concordo que ele merecia MESMO levar). E ainda digo que ele merecia levar em outras vezes onde ele nem foi indicado, como em Django Livre (onde ao menos merecia indicação, e concorreria diretamente com o vencedor pelo mesmo filme Christoph Waltz), A Origem e Prenda-me se for Capaz.

DiCaprio Django

Em O Regresso DiCaprio teve uma atuação, sim, realmente boa. Mas foi uma atuação puramente física. É digna de nota as coisas que ele fez no filme, mas mesmo assim eu não acho que a atuação puramente física dele era o suficiente para levar o prêmio. Eu realmente preferi Tom Hanks em Ponte dos Espiões (Bridge of Spies) ou até mesmo Matt Damon em Perdido em Marte (The Martian). Mas a Academia resolveu que era hora de DiCaprio levar o seu Careca pra casa, e assim foi.

E parabéns ao astro, que há anos já fazia por merecer esse prêmio!

DiCaprio Gatsby