Breves Comentários sobre a Discografia do Helloween

31 07 2015

Indo no embalo do amigo Thárik pretendo falar aqui minhas impressões sobre a discografia do Helloween, que conheci lá em 2000, e até hoje é uma das minhas bandas de cabeceira juntamente com Metallica, Pink Floyd, Scorpions e Sonata Arctica.

O Helloween foi formado pelo quarteto Kai Hansen (vocais/guitarra), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Ingo Schwichtenberg (bateria). Agora vou trazer os discos que vieram.

1985 Helloween

Abrindo com o EP Helloween, lançado em 1985. Já se tinha uma noção do que a banda viria a nos trazer na sequência, ainda naquele ano. Speed metal puro e um trabalho vigoroso da galera. Destaco aqui uma já clássica Starlight.

Nota do Uiu: 7/10

1985 Walls of Jericho

Como citado anteriormente temos aqui um belo disco, Walls of Jericho. Hansen continua magnífico nos vocais e as músicas presentes no EP anterior ganharam uma repaginada, que as deixaram ainda melhor! Principais destaques aqui são ainda Starlight, How Many Tears, Guardians e Ride the Sky.

Nota do Uiu: 8,5/10

1987 Keeper of the Seven Keys I

Em 1987 a banda, então, resolve migrar para uma sonoridade um pouco diferente. Estavam aí criados o power metal e o metal melódico. Hansen deixa os vocais e dá lugar ao novato Michael Kiske, que dá um gás novo a banda. O disco, Keeper of the Seven Keys pt. 1 é um clássico do gênero. Muitos o consideram superior ao seu predecessor, fato que eu preciso discordar. Mas ainda assim é um disco maravilhoso. Destaques aqui ficam por conta de I’m Alive, A Tale That Wasn’t Right e Halloween.

Nota do Uiu: 9,5/10

1988 Keeper of the Seven Keys II

No ano seguinte, 1988, viria a sequência Keeper of the Seven Keys pt. 2. Mantendo o nível do antecessor (e indo além em algumas músicas) a banda continuava sua cavalgada rumo ao infinito com essa pérola, com hits grudentos e um magnífico épico! Vários destaques aqui: Eagle Fly Free, Dr. Stein, We Got the Right, I Want Out e Keeper of the Seven Keys.

Nota do Uiu: 9,5/10

1991 Pink Bubbles go Ape

Em 1991 o Helloween tem sua primeira queda de rendimento. Pink Bubbles Go Ape começa a dar ares de perder o peso que a banda vinha demonstrando. Parte disso se deu a saída de Kai Hansen, apesar de a entrada de Roland Grapow ter mantido a qualidade no que se trata de guitarrista. Outra parte dessa queda se dá pela influência de Michael Kiske, que parecia estar flertando com um rock mais carismático e menos pesado. Ainda assim, considero esse disco o mais injustiçado da banda. Destaques para Kids of the Century, Goin’ Home, Mankind e Your Turn.

Nota do Uiu: 7,5/10

1993 Chameleon

Em 1993 vemos que Kiske já estava MESMO de saco cheio do metal. Chameleon chega a flertar com o pop em alguns momentos, mas mesmo assim ele ainda carrega músicas que considero indispensáveis na discografia da banda. Esse disco também é o fim da linha para Michael Kiske na banda. Os destaques ficam com I Don’t Wanna Cry no More, When the Sinner, Windmill e I Believe.

Nota do Uiu: 6/10

1994 Master of the Rings

Após a saída de Kiske e o suicídio de Ingo a banda contrata o vocalista Andi Deris, vindo da banda de hard rock Pink Cream 69, e o baterista Uli Kusch, pregresso do Gamma Ray, banda criada por Kai Hansen após a saída do Helloween. Então, em 1994, lançam Master of the Rings. E foi um belo começo para a nova formação! Com uma pitada de hard rock ao pesado power metal que era marca da banda esse disco foi um sucesso absoluto, angariando novos fãs a banda, que já dava sinais de desgaste devido aos dois últimos trabalhos com Kiske. Destaques aqui para Sole Survivor, Where the Rain Grows, Why?, Perfect Gentleman e a balada In the Middle of a Heartbeat.

Nota do Uiu: 8,5/10

1996 The Time of the Oath

Em 1996 o Helloween continuava numa crescente, e lançou o belo The Time of the Oath, que mostrava um pouco mais de hard rock do que seu antecessor. Deris continua afiadíssimo e o álbum vem com uma temática das profecias de Nostradamus. Principais destaques aqui ficam por conta de Steel Tormentor, Power, Forever and One (Neverland) e The Time of the Oath.

Nota do Uiu: 8,5/10

1997 Better Than Raw

Mantendo uma mesma formação por três álbuns pela primeira vez, em 1998 sai Better Than Raw, que eu considero melhor que os discos anteriores (aqui muito fã me crucificaria). É um disco mais pesado e com mais uma bela balada de Deris, que prova ser um letrista magistral. Destaques para Push, Hey Lord!, Revelations, Time, I Can e Lavdate Dominum.

Nota do Uiu: 9/10

1999 Metal Jukebox

1999 foi o ano que o Helloween resolveu lançar um disco só de covers: Metal Jukebox. Trazendo coisas que vão do hard rock ao pop, esse disco é um deleite dos mais divertidos, além de trazer ótimas versões da banda para grandes músicas. Destaques para He’s a Woman, She’s a Man (Scorpions), Locomotive Breathe (Jethro Tull), Lay All Your Love on Me (ABBA), Space Oddity (David Bowie), From Out of Nowhere (Faith no More), All My Loving (Beatles) e Hocus Pocus (Focus).

Nota do Uiu: 8/10

2000 The Dark Ride

Entrando no século XXI a banda começava a dar sinais de problemas internos. Isso ficou claro no tom sombrio de The Dark Ride, lançado em 2000. Mesmo assim, o que a banda entrega é o melhor disco da carreira da banda. Com um instrumental pesado e Deris rasgando seus vocais esse disco é, de ponta a ponta, perfeito. Destaque para todas as faixas: Mr. Torture, All Over the Nations, Escalation 666, Mirror Mirror, If I Could Fly, Salvation, The Departed (Sun is Going Down), I Live for Your Pain, We Damn the Night, Immortal (Stars) e a épica The Dark Ride. Incluo aqui também a bonus track Madness of the Crowds.

Nota do Uiu: 10/10

2003 Rabbit Don't Come Easy

Após The Dark Ride Roland Grapow e Uli Kusch deixam a banda. Entrou o guitarrista Sascha Gerstner, enquanto Mikkey Dee (do Motörhead) e Mark Cross gravaram as baterias do novo disco, lançado em 2003: Rabbit Don’t Come Easy. Cross, na verdade, gravaria toda a bateria, porém adoeceu e foi substituído por Mikkey Dee. Durante a turnê, em contra partida, as baquetas ficaram por conta de Stefan Schwarzmann, oriundo do Accept, mas que não deu conta do recado. A saída de Grapow e Kusch deu uma diferença sensível à qualidade do disco, porém não foram decisivas. Gerstner se provou um ótimo guitarrista, enquanto Dee é um baterista experiente e excelente. Mas essa foi, até então, a primeira queda de qualidade da fase Deris com relação às músicas. Destaques para Just a Little Sign, Open Your Life, The Tune e Don’t Stop Being Crazy.

Nota do Uiu: 6,5/10

2005 Keeper of the Seven Keys Legacy

Para o disco seguinte a banda convocou um novo baterista: Dani Löble. E então em 2005 gravaram o ótimo Keeper of the Seven Keys: The Legacy, uma “sequência” dos clássicos Keeper of the Seven Keys pt.I e II. A entrada de Löble deu um novo gás a banda, e a sonoridade voltou a ficar mais coesa e pesada. Deris também estava num momento inspirado com belos vocais. Conta com a participação especial de Candice Night (vocalista do Blackmore’s Night e esposa da lenda Ritchie Blackmore). Destaques aqui por conta de The King for a 1000 Years, Born on Judgment Day, Mrs. God, Light the Universe e My Life for One More Day.

Nota do Uiu: 8/10

2007 Gambling With the Devil

Em 2007 é lançado Gambling with the Devil, que mantém uma sonoridade semelhante à Rabbit Don’t Come Easy, mas com a banda mais afinada e parecendo ter encontrado seu tom, afinal. Só que mais uma vez algo pareceu faltar nesse disco, apesar de ainda ser um bom disco. Destaques para Kill It, Final Fortune, The Bells of the Seven Hells e Fallen to Pieces.

Nota do Uiu: 7/10

2009 Unarmed

Em 2009 a banda resolve lançar uma nova coletânea. Mas ela veio numa forma diferente: comemorando os 25 anos de banda Unarmed conta com releituras de clássicos desde a fase Kiske até o mais recente Keeper of the Seven Keys. É um disco divertido com algumas boas releituras, mas creio que não era necessário tal lançamento. Destaco a divertida releitura de Dr. Stein na voz de Deris.

Nota do Uiu: 6/10

2010 7 Sinners

E a banda aqui iguala a sequência de quatro discos consecutivos com a mesma formação, como aconteceu no início da fase Deris. 7 Sinners é lançado em 2010, e traz a banda de volta com ainda mais peso e técnica do que nos últimos discos, mas algo nele parece não pegar. Tem muita música boa, mas quase nenhuma chega a ser algo que chame plena atenção. Destaques aqui são Where the Sinners Go, Are You Metal?, Who is Mr. Madman?, The Smile of the Sun e Raise the Noise, além da bonus track I’m Free.

Nota do Uiu: 7/10

2013 Straight Out of Hell

E pela primeira vez o Helloween consegue manter uma mesma formação por cinco álbuns consecutivos! 2013 é lançado Straight Out of Hell chega com a banda mantendo a mesma fórmula que os anteriores, mas com músicas mais divertidas e com uma bela balada, marca registrada de Andi Deris mas que, nesse disco, ficou a cargo de Sascha Gerstner. Os destaques aqui ficam com Nabatea, Burning Sun, Waiting for the Thunder, Hold Me in Your Arms e Church Breaks Down.

Nota do Uiu: 7/10

2015 My God-Given Right

Finalmente chegamos a 2015 e ao mais novo lançamento da banda. My God-Given Right é, de fato, o disco mais fraco de toda a fase Deris. Na primeira audição eu gostei do disco, mas na seguinte parece que algo estava fora do lugar na maioria das músicas. Talvez falte à banda tentar sair da mesma fórmula e arriscar um pouco mais, ou se aproximar da sonoridade do início da era Deris. Destaques com Battle’s WonMy God-Given Right e The Swing of a Fallen World.

Nota do Uiu: 6/10

Listen to: Mr. TortureHelloween

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Sobre o Texto Apocalíptico do Blog do Matias com Relação a DC

15 07 2015

Depois de terminar de ler o texto do blog do Matias no UOL sobre a sensação dele que, após ver o segundo trailer de “Batman v Superman”, sente que esse é um prenúncio do declínio dos filmes de super heróis no cinema (aos que se ainda não leram e se interessarem: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/07/14/por-que-batman-vs-superman-pode-enterrar-os-filmes-de-super-heroi/) resolvi pegar trechos do texto e dizer o que acho.

O tom frio e pesado do trailer, típico de seu diretor, apaixonado pelo conceito de fim de mundo e por uma paleta escura e cinza-azulada de cores, me pareceu uma colcha de retalhos fúnebre de tudo que poderíamos esperar do pior estereótipo de um filme de super-heróis. Parecia que estava assistindo a uma lápide em quadrinhos.”

Interessante nesse caso é que, fora a série do Flash, tudo o que vemos nos últimos tempos da DC em mídias televisivas/cinematográficas é algo mais sombrio. Isso é algo que a própria DC decidiu, não exatamente o Zack Snyder. Basta ver o remake de “Madrugada dos Mortos” ou “A Lenda dos Guardiões” e até mesmo “300” que você nota que isso é um bocado exagerado. Talvez “Watchmen” e “Sucker Punch” se incluam nisso, mas em ambos os casos se fez necessário tal artifício!

“É tanta informação, tantos acontecimentos enfileirados e acumulados, tantas frases de efeito e clichês visuais que o filme parece uma paródia mal-humorada de um gênero que não é propriamente um gênero.”

Então quer dizer que um trailer que quer mostrar o quanto o filme seguirá diversas coisas de HQs clássicas não pode porque é excesso de informação? Melhor isso do que entregar coisas vitais da história, como aconteceu com “Vingadores: Era de Ultron” e “Exterminador do Futuro: Gênesis”. E sinceramente não achei nada exagerado. Mas sim, concordo que o gênero de filmes super-heróis não é propriamente um gênero.

Esse filme vai ter quantas horas, cinco? Eles vão conseguir enfiar toda essa história em menos de duas horas e meia e ainda fazer sentido? Com certeza Zack Snyder fará uma versão com o dobro do tamanho para lançar no DVD, incluindo tudo aquilo que ele queria colocar na versão original e teve que cortar, afinal de contas ele é uma versão caricata do cineasta nerd personificado por Peter Jackson, quase uma versão Bizarro do autor da épica adaptação do Senhor dos Anéis.”

Sim, acho possível ele conseguir encaixar tudo aquilo no filme. E duvido MUITO que tenha menos de 2 horas e meia de filme. Creio que chegará próximo das 3 horas, como quase aconteceu com “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” de Christopher Nolan. E acho ainda mais exagerado dizer que Zack Snyder é uma versão caricata de cineasta nerd. Vejo ele algo como um nerd sim, mas não exatamente como Peter Jackson ou até mesmo Joss Whedon. Ele se aproxima mais do estilo do Guillermo Del Toro (ao menos quando resolve fazer algo mais pessoal como “Sucker Punch”).

E justamente por isso ele pode ser o cara que enterre de vez essa onda de super-heróis no cinema: não a iniciada pela Marvel com o Homem de Ferro, ou a iniciada pela Marvel no primeiro Homem Aranha ou a iniciada pela Marvel nos primeiros experimentos em Blade, ainda nos anos 90. Mas aquela iniciada pela DC no final dos anos 70, com o mítico primeiro filme do Super-Homem, e seguida pela própria DC dez anos depois, com o pitoresco primeiro filme do Batman, de Tim Burton.”

Aí o cara exagerou um bocado. Seja no fato de falar que ele pode enterrar a onda de super-heróis iniciada pela DC nos anos 70, seja no fato de achar o “Batman” de Tim Burton pitoresco. Essa alcunha cabe aos horríveis (mas ainda divertidos) e coloridos “Batman” de Joel Schumacher. Bom, talvez o divertido caiba só em “Batman Eternamente”, porque “Batman e Robin realmente é horrível em todos os aspectos.

Por melhores que sejam todos os heróis da Marvel, eles ficam em segundo plano à sombra dos mitológicos Super-Homem e Batman. Os dois luminares da DC são os alicerces tanto do quadrinho pop quanto da genealogia do herói fictício moderno, mas fora o primeiro filme do Super em 1978 e a trilogia de Christopher Nolan com o Batman quase tudo que a DC tentou fazer no cinema funcionou mal.”

Acho temerário dizer que nenhum personagem da Marvel consiga se igualar ao Superman ou ao Batman. Homem Aranha tá aí pra não me deixar mentir. Ou até mesmo os X-Men. Ok, talvez os dois da DC sejam maiores, mas falar que os da Marvel ficam em segundo plano é um exagero enorme.

Os dois últimos filmes do Super-Homem só não foram o fundo do poço porque conseguiram fazer um filme de super-herói pior que a Mulher-Gato de Halle Berry quando Ryan Reynolds encarnou o Lanterna Verde.”

“Superman: O Rertorno” é realmente um filme ruim, mas “O Homem de Aço” é um ótimo filme, que a galera resolveu achar que é péssimo por motivos de destruição de Metrópolis e o Supinho matar o Zod (se vier falar sobre spoiler eu simplesmente ignoro). Mas o fundo do poço, realmente, se chama “Mulher-Gato”.

Assistir ao trailer desse encontro épico de mitologias me causou essa péssima impressão de um filme realizado a partir de estatísticas, previsões, finanças e outras análises cruas e hiperbolizadas do que “o mercado” pode querer, como se o mercado não fôssemos nós mesmos. Presos em suas salas de brainstorm, os “criativos” da Warner só conseguem pensar em um filme que funcione nas redes sociais, nas prateleiras de brinquedos e em diferentes janelas de exibição (primeiro cinema, depois vídeo on demand, depois DVD, depois TV a cabo, depois filme no avião, depois TV aberta, etc.) do que um filme que seja bom na tela de cinema.”

Quer dizer que o filme tem que ser bom na tela de cinema e pode fracassar no resto? Porque já vi casos de filmes que foram fracassos horrendos no cinema e que se tornaram clássicos anos depois graças aos lançamentos em VHS/DVD, como “Blade Runner” ou até mesmo o hoje considerado clássico “Clube da Luta”. Ou pior ainda: “Um Sonho de Liberdade”, tido como um dos melhores filmes da história, fracassou como poucos na bilheteria e só se pagou graças ao lançamento em home video.

A impressão que tive com esse excesso de informações desse primeiro trailer como se conseguissem pendurar qualquer coisa relacionada ao ideário básico dos dois personagens pra ter a certeza de que o público reconheceria tudo.”

Isso eu quase concordo com ele, porém acho que funcionou bem melhor do que isso. Como disse lá em cima, é mais um modo de dizer que farão uma homenagem a diversas histórias clássicas dos personagens, principalmente “The Dark Knight Returns”, a maravilhosa HQ de Frank Miller e até mesmo a morte de Jason Todd pelas mãos do Coringa. E eu acredito que isso tudo tem um motivo: o fato de eles não quererem fazer toda uma história de início pra todo mundo (já que a galera tá mais que acostumada com os personagens) e apenas tentar conectar as histórias dos novos filmes da DC de modo geral.

Batman vs. Superman também é o auge dessa fase sem criatividade de Hollywood em geral. A maioria das produções de hoje em dia limita-se a pegar uma história que o público conheça de outras plataformas (livros, quadrinhos, videogames, programas de TV, jogos de tabuleiro e do próprio cinema, em remakes, prequels e continuações) e reconta-la de forma que ela possa oferecer o mínimo risco financeiro, sem brecha nenhuma pra o exercício da criatividade e da ousadia narrativa. Mas essa fase sem originalidade da indústria do cinema talvez não seja mais uma fase e tenha se tornado a forma de sobrevivência deste mercado…”

Esse é o único ponto do texto dele em que eu sou obrigado a concordar. Hollywood já tá carente de originalidade há tempos. São poucos filmes que tentam vir como um ar de novo. O último diretor que tentou dar novos ares acabou sumindo: M. Night Shyamalan, que entrou no ostracismo depois de um ótimo começo e acabar vindo com fracassos sequenciais. Aliás, se Hollywood olhasse com carinho pra Bollywood veria quanta coisa boa pode vir de lá!

“Mas o encontro dos alter-egos de Bruce Wayne e Clark Kent programado para o ano que vem parece hiperbolizar tudo de uma forma vazia e puramente visual que até pode funcionar no primeiro fim de semana, mas não vai justificar o investimento do estúdio nessas marcas. O Esquadrão Suicida, o Vingadores de supervilões planejado para estrear logo depois, segue exatamente essa linha exagerada, gráfica e sem nenhuma sutileza, como se a DC tivesse se tornado o equivalente da Image nos quadrinhos nos anos 90 – pior, nos fazendo torcer para os vilões. Resta saber se isso vai funcionar. Eu aposto que não.”

Falar que o filme não vai sobreviver ao primeiro fim de semana, e ainda achar que “Esquadrão Suicida” não vai funcionar por motivos de serem vilões agindo como heróis? Esse cara vive numa galáxia à parte, né? Wolverine é um anti-herói clássico. Gru, em “Meu Malvado Favorito”, é um vilão e você torce pra ele desde o começo (até que ele fica bom, mas isso não vem ao caso). Pô, vilões são amados desde sempre: Darth Vader e Hannibal Lecter são dois casos explícitos disso!

“E aposto que o fracasso dessa superprodução vai fazer os estúdios, diretores e produtores a começar a repensar o papel do super-herói na pauta da indústria do entretenimento. Isso já aconteceu em outros momentos com outros gêneros dominantes, quando Michael Bay enterrou a boa fase de ficção científica e ação iniciada em Matrix com seus Transformers ou quando Spielberg encerrou a fase Stallone-Schwarzenegger dos filmes de ação ao bater O Último Grande Herói com seu Parque dos Dinossauros, no início dos anos 90.”

Os filmes de super-heróis NUNCA estiveram tão bem. E eu vejo que, se a DC tiver que repensar TUDO de novo, vai ser pra desistir. Porque não é possível que agora que estão conseguindo criar um universo coeso nos filmes eles vão resolver rever tudo.

Isso não afeta em nada os planos da Marvel, que segue dentro de seu nicho bilionário que planejou para os próximos anos. Da mesma forma que o excesso de desenhados animados gerados por computador não abalou a importância da Pixar ou que os clones de Guerra nas Estrelas não tiraram a popularidade da franquia da Lucasfilm. Mas vai ser mais difícil ver obras como Kick Ass, Poder Sem Limites, Megamente, Birdman ou Hancock saírem do papel.”

Sério, tô há meia hora pensando no que dizer desse parágrafo. No meio de filmes de super-heróis realmente é difícil ver coisas diferentes como os citados, que eu ainda incluiria o excelente “Corpo Fechado” do Shyamalan. Mas mesmo dentro do que tem saído ainda existem filmes que ficam fora de uma curva “comum”, como “Capitão América: O Soldado Invernal” ou até mesmo os vindouros “Esquadrão Suicida” e “Deadpool”. O segundo filme do Capitão América é muito mais um filme de espiões do que de super-heróis, e os outros dois vão nos fazer amar vilões. Quer coisa mais legal que isso?!

O sucesso inesperado dos quartos volumes das franquias Parque dos Dinossauros e Mad Max já fez uma luz amarela acender no radar para quem achava que o futuro dos super-heróis era infalível no cinema. E uma das explicações para o sucesso de ambos filmes é a vulnerabilidade dos protagonistas, que desapareceu nessa fase de ouro dos super-heróis do cinema – no novo Parque dos Dinossauros o superser é um dinossauro vilão; no novo Mad Max ninguém é super, só restam armas, carros e máquinas (e uma guitarra que cospe fogo, mas melhor deixar isso pra lá).”

Nesse trecho eu só queria destacar o fato de ele dizer sucesso inesperado pra “Jurassic World”. Muita gente achava que o filme faria sucesso, só talvez não tanto quanto acabou fazendo. E ele menosprezar a guitarra cospe-fogo de “Mad Max” é mimimi demais.

Isso não quer dizer que a DC irá fechar suas portas para o entretenimento além dos quadrinhos, mesmo porque se no cinema ela mais erra que acerta, na televisão tem um histórico mais bem resolvido, desde a série kitsch do Batman nos anos 60 à comédia romântica Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman nos anos 90, passando pela bem sucedida Smallville e as recentes – e elogiadas – Arrow, Flash e Gotham. Cada uma dessas produções tem seu estilo específico, mas consegue fazer a mitologia da DC funcionar sem necessariamente apelar para o excesso de referências, como ocorre com o filme que vai estrear no ano que vem.”

Aqui eu acho que ele atingiu o ápice da asneira. Falar que as séries funcionam sem apelar pro excesso de referências? Talvez, mas todas elas têm tantas referências que fazer até o Capitão América gritar “essa eu entendi!”.

“O lado bom de um fracasso desses também é mais uma vez limpar a página para recomeçar a história de novo – e com outros produtores e diretores, com visões menos mercantis e superdimensionadas de personagens que atravessaram o século passado em nosso imaginário. Pode ser que uma possível ressaca dure uma década, um pouco mais, um pouco menos, mas eu ainda acredito que veremos os melhores filmes do Super-Homem e do Batman num futuro próximo.“

Ele finaliza com essa quase convicção de que tudo da DC vai descambar nos cinemas. E que os melhores filmes de Superman e do Batman ainda virão.  Olha, do Superman talvez, mas do Batman eu vejo como muito difícil superar a trilogia de Christopher Nolan.





Breves comentários sobre Capitão América: Guerra Civil

8 07 2015

Ok, vamos falar sobre Capitão América: Guerra Civil.

Após a treta toda de Vingadores: Era de Ultron fica claro que algumas coisas ficaram no ar entre Tony Stark e Steve Rogers. E já sabemos que alguma encrenca durante uma ação dos Novos Vingadores vai fazer o Governo reagir (seja lá que Governo for esse), e vai fazer com que Rogers e Stark batam de frente no filme, devido a cada um ter um ponto de vista com relação a essa ação do Governo: Stark apoiará a ideia e Rogers será contra.

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A chegada do Homem Aranha ao MCU colocou as coisas em perspectiva, principalmente com relação ao que é visto nas HQs. No arco Guerra Civil Stark e Rogers “disputam” Peter Parker, mas Stark ganha (no início). Uma morte numa das batalhas entre os dois lados coloca Peter pra pensar, e ele resolve abandonar Stark. E aí, após uma ação que acabou sendo levemente desastrosa dos Thunderbolts colocou Parker do lado do Capitão Améirca na parte final da batalha.

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O filme já tinha um ponto de partida e quem estaria de cada lado SEM A PRESENÇA DO HOMEM ARANHA. Então se alguém pensa que o Aranha será central na trama, por favor, APENAS PAREM. É mais fácil encaixarmos nessa o Pantera Negra, tendo em vista que o próprio cabeça do Marvel Studios Kevin Feige disse que T’Challa será uma “terceira via” entre os dois, dando pra pensar que o Pantera terá uma importância razoavelmente grande no filme. O Aranha deve entrar bem de leve, apenas sendo introduzido na treta toda, muito disso devido ao fato do personagem ter sua estreia no MCU nesse filme (ainda não sabemos ao certo se haverá algum indício sobre o personagem em Homem-Formiga).

Em suma, eu aposto fortemente que o Homem Aranha seja parte da treta, mas completamente deslocado naquele mundo. A partir desse filme é que teremos a base do que a Marvel vai fazer com ele no seu filme solo em conjunto com a Sony.