Três homens e um túmulo *ou O Bom, o Mau e o Feio*

29 10 2010

Faroestes não costumam ser meu estilo favorito, mas às vezes gosto de ver filmes do gênero!

Um deles é um filme que provavelmente todo mundo que se interessa pelo gênero deve ter assistido e gostado, e é o tema desse post: o fim da trilogia dos dólares de Sergio Leone “O Bom, O Mau e O Feio”, de 1966.

O filme trás a história de três homens. Blondie (o bom, vivido por Clint Eastwood) é um pistoleiro, que vive caçando recompensas. Angel Eyes (o mau, Lee Van Cliff) é um assassino profissional, que sempre leva um trabalho pelo qual é pago até o fim. E Tuco (o feio, Eli Wallach) é um bandido procurado, que está tentando ao máximo se esconder. Blondie e Tuco resolvem formar uma parceria, e procuram dinheiro para pagar o prêmio pela captura de Tuco. Mas quando Blondie resolve desfazer essa parceria, é caçado por Tuco. Em certo momento, Tuco e Blondie conhecem um moribundo Bill Carson (Antonio Casale), que lhes diz sobre uma fortuna de $200.000 enterradas em um cemitério. Blondie ouve uma parte da história e Tuco, outra. Após a morte de Carson, eles acabam tendo que ficar juntos para conseguir chegar até o dinheiro. Mas Angel Eyes estava perseguindo Carson, e agora ele irá fazer com que os dois o levem até o ouro. Uma grande história!

Com grandes diálogos e cenas memoráveis, Leone encerra essa trilogia dos dólares, ou mais conhecida como a trilogia do homem sem nome, de forma primorosa. Além, claro, da maravilhosa trilha sonora de Ennio Morricone. “The Ecstasy of Gold” é um clássico. Uma curiosidade sobre essa música é que a banda Metallica costuma executá-la no início de seus shows.

Vamos a cena marcante desse clássico!

A grande cena desse filme é seu final. Quando os três estão reunidos no cemitério, e Blondie diz que estavam no túmulo errado. Ele propõe então um duelo. Ele diz que escreverá o nome do úmulo correto numa pedra e o vencedor do duelo poderá ficar com todo o dinheiro. Eles então se afastam um do outro, e se colocam num triângulo. Tem início então a uma obra prima: os três pistoleiros se encaram por cerca de dois minutos e meio, até sacarem suas armas!

Pararei por aqui para não contar a cena completa, e estragar o resultado.

Amanhã, outro filme!

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Um hotel muito louco *ou O Iluminado*

28 10 2010

Stephen King.

Anteriormente, antes de eu redirecionar o blog, prometi um post só sobre esse gênio da literatura. Mas o tempo passou, e ficou só com o post sobre o livro e o filme “Christine”.

O tempo passou, e nada do Mr. King voltar por aqui.

Mas isso acaba agora.

Semana de halloween, nada melhor que um filme de terror, não acham?

Então, o filme de hoje é “O Iluminado”, versão de 1980, dirigido pelo incrível Stanley Kubrick.

O filme tem diversas diferenças com relação à obra de King, mas nada que atrapalhe o bom andamento da película.

A história trata da família Torrance: Jack (vivido por um magnífico Jack Nicholson), Wendy (Shelley Duvall) e o garoto Danny (Danny Lloyd). Jack, muito tempo desempregado graças a seus ataques de raiva, ligado a seu alcoolismo, consegue um trabalho: cuidar do hotel Overlook, que durante o inverno permanece fechado graças às grandes camadas de neve, que impedem a chegada até lá. Ao chegarem no hotel, são apresentados a Dick Halloran (Scatman Crothers), cozinheiro-chefe do hotel. Ele nota que Danny possui um tipo de poder que ele chama de “ser iluminado”, e pede que Danny tenha cuidado nessa estadia dele no hotel.

Jack é um escritor, e está trabalhando em um romance já a algum tempo. Ele continua a trabalhar na obra enquanto toma conta do hotel. Mas algumas coisas começam a ficar estranhas. Uma mulher num dos quartos, festas no salão e irmãs que convidam Danny para uma brincadeira. O hotel passa a ter um lado macabro, e Jack parece ceder a ele.

Tido como um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, “O Iluminado” ainda prima pela atuação, se não a mais, ao menos uma das mais convincentes da história do cinema: Jack Nicholson como Jack Torrance. O cuidado, as algúrias e a loucura do personagem eram dignas de, ao menos, uma indicação ao Oscar. Mas ele foi preterido pela Academia.

Vamos a cena marcante do filme!

Poderia ser a cena em que Danny, em seu passeio de triciclo, dá de cara com as irmãs do inferno? Sim. Poderia ser a cena do quarto 237? Sim. Ou a do banheiro, em que Jack é atacado? Também.

Mas nenhuma cena nesse filme é superior ao ataque insano de Jack à Wendy, quando ela se tranca num dos banheiros. A loucura de Jack Nicholson ficará gravada eternamente na mente de quem assistiu a essa cena.

A cena se inicia quando Wendy foge de Jack e tranca-se no banheiro. Jack, com um machado na mão, para em frente a porta e dá uma de lobo-mau em frente a casa dos porquinhos. Ele diz algo como “Wendy, deixe-me entrar. Não vai deixar? Então eu vou soprar, soprar, até sua casa derrubar”. E começa a atacar a porta à machadadas. Wendy, que encontrou uma faca, pega-a, e grita desesperadamente enquanto Jack destrói a porta. Quando ele consegue abrir um buraco na porta, ele coloca a cabeça lá e diz a Wendy “Aqui está o Johnny!”, e tenta abrir a porta. Ao fazer isso, Wendy faz um corte em sua mão com a faca. Ele enlouquece de raiva, mas sai dali ao perceber a chegada de uma visita indesejável.

Bom, isso foi “O Iluminado”!

Amanhã, mais um filme.





Um passeio no reino dos duendes *ou Labirinto: A Magia do Tempo*

26 10 2010

Diversos filmes na década de 80 marcaram a infância e juventude de muita gente: Goonies, Curtindo a Vida Adoidado, Robocop, Máquina Mortífera. E outros ainda maracaram uma gama especial, como Touro Indomável, Blade Runner, Scarface e Platoon.

Mas um filme em especial foi marcante pra mim nessa década tão incrível: Labirinto – A Magia do Tempo, do diretor Jim Henson.

Esse homem, aliás, tem algo de marcante em sua carreira: é o criador das séries Vila Sésamo e Muppets, shows com bonecos manipulados.

Mas vamos nos focar nessa obra-prima de Henson.

Ele se juntou a LucasFilm para criar uma história fantástica sobre Sarah (Jennifer Connelly), uma garota que se interessa muito por teatro e livros que tratam de fantasia. Um livro que ela gosta muito chama-se “Labyrinth”, que trata da história de uma garota que ganha poderes do rei dos duendes. Naquela noite, ela é obrigada por seu pai e sua madrasta a cuidar de seu irmão Toby. Após brigar com a madrasta, ela chora em seu quarto. Depois, vai contar uma história a seu irmão, para ele dormir. Depois da história terminar, enquanto Toby ainda chorava, ela sai do quarto, apaga a luz e diz “Desejo que o rei dos duendes venha e o leve embora!”. Repentinamente, o choro dele cessa. Ela, preocupada, entra no quarto. E nota que o garotinho sumiu.

Uma coruja entra pela janela do quarto e para perto de Sarah. Eis que surge Jareth, o rei dos duendes (vivido pelo cantor inglês David Bowie). Ele então explica que realizou o desejo de Sarah e levou o garoto para seu castelo, no reino dos Duendes. Sarah mostra-se arrependida, e pede que Jareth o devolva. Ele nega, mas dá a Sarah uma chance: ela tem 13 horas para atravessar o labirinto até o castelo de Jareth. Se ela conseguir, recupera seu irmão. Caso contrário, ele transformará Toby num duende para sempre.

Uma fantasia tanto para crianças quanto para adultos.

Bela fotografia, personagens muito interessantes, principalmente no mundo dos duendes, que todos são bonecos criados por Henson. E o ponto forte da película: sua trilha sonora, feita por David Bowie e Trevor Jones. Músicas incríveis e algumas até dançantes, como a divertida “Magic Dance”, de Bowie. Isso tudo faz do filme um filme a ser visto por todos aqueles que se interessam realmente por filmes e, principalmente, pelos fãs de David Bowie.

Vamos à cena marcante do filme!

Esse filme torna tudo mais fácil. A melhor cena do filme é o baile de máscaras, em que Jareth tenta seduzir Sarah, a fim de atrasá-la o suficiente para ela não conseguir chegar a tempo.

A cena se inicia quando o duende Hoggle entrega uma maçã “envenenada”a Sarah. Ela começa a ficar tonta. Corte para Jareth numa janela de seu castelo. Ele brinca com bolas de cristal e, uma a uma, sopra-as em direção ao vento. Elas viram bolas de sabão e vão em direção à Sarah. Dentro das bolhas, ela vê a si mesma com um belo vestido, como se fosse uma princesa. Corte para Ludo, Didymus e Ambrosius. Didymus diz a Sarah que estão próximos ao castelo, mas aí nota que ela ão está mais com eles. Uma bolha se aproxima de onde eles estão e, dentro dela, vê-se um baile de mascaras. Pessoas dançando. A cena vai para um salão de festas, onde o baile ocorre. Sarah anda pelo salão. Aí, inicia-se a canção “As the World Falls Down”, e Sarah encontra Jareth frente à frente. Jareth se afasta e, enquanto ele dança com outra pessoa, Sarah vai andando pelo salão, à procura dele. Ele vai brincando com ela, desaparecendo enquanto ela o procura. Quando ela finalmente o encontra, eles começam a dançar. Eles então são cercados por diversas pessoas mascaradas. Sarah, ao ver aquilo, começa a ficar incomodada. Então, ela vê um relógio. Ele marcava 12 horas. Uma hora para o fim do tempo que Jareth a deu. Ela resolve fugir dali. Corre até dar de frente com um espelho. Ela então pega uma cadeira e o quebra. A magia, então, é desfeita.

Enfim, Labirinto – A Magia do Tempo é um daqueles filmes para se ver e rever sempre que puder. Seja porque é uma bela história, seja porque é divertido, seja pelo David Bowie.

Amanhã, mais um filme!





Mascarados condenados *ou Watchmen*

25 10 2010

Esse eu nunca comentei por aqui. Vai ser uma novidade, aleluia!

Esse filme é uma adaptação das HQs criadas por Alan Moore e desenhadas por Dave Gibbons.

Watchmen traz a história de heróis norte-americanos aposentados, graças a uma lei proibindo-os de continuar exercendo o que fazem. O contexto histórico é diferente: 1985, terceiro mandato de Richard Nixon, que não teve a cabeça pedida graças ao caso Watergate, os EUA venceram a guera do Vietnã graças a um reforço invencível. Enfim, tudo mudou graças a esses mesmos heróis. Quando um deles morre, eles passam a crer que alguém começou uma caça aos mascarados. Eles precisam achar esse suposto caçador de heróis e ainda tem o problema de uma iminente 3ª Guerra Mundial.

Vamos falar um pouco sobre o filme.

Dirigido pelo “visionário diretor de 300” Zack Snyder, Watchmen é cheio de uma das principais marcas do diretor: o slow motion. Um artifício sempre criticado, eu considero Snyder um cara capaz de utilizar-se muito bem disso. Principalmente nas cenas de luta, algo que ele já havia feito em 300.

Os atores vão muito bem. Jeffrey Dean Morgan como Comediante nos enche os olhos. Carla Gugino como a primeira Espectral e Malin Akerman como a Espectral II se saem muito bem. Patrick Wilson surpreende como o Coruja II. Billy Crudup não teve muito trabalho pra viver o quase divino Dr. Manhattan. Matthew Goode faz um bom Ozymandias. Mas é com o Rorschach que você acaba ficando maravilhado. Jackie Earl Haley dá vida ao perturbado mascarado com um vigor digno de aplausos.

Mesmo com algumas diferenças notáveis entre a HQ e o filme, é uma adaptação excelente, do meu ponto de vista. O final foi modificado, mas eu penso que se tornou mais crível.

Vamos a cena marcante, em minha opinião.

Esse filme é praticamente uma cena marcante por inteiro: os créditos de abertura, a luta inicial entre o Comediante e seu algoz, a luta no beco entre a Daniel e Laurie contra uma gangue, a ida de Manhattan e Laurie pra Marte, a luta na fortaleza de Ozymandias, tudo é algo magnífico. Mas é uma cena curta, com pouco mais de um minuto e  aparentemente nada de mais, que sempre me enche os olhos. E quase me leva às lágrimas: o funeral de Edward Blake. Não ele inteiro, apenas o início.

Como eu disse, é uma cena curta e sem nada de mais. Só que ela tem um elemento que a torna simplesmente esplendorosa: o música “The Sound of Silence”, da dupla Simon and Garfunkel.

A cena se dá da seguinte forma: uma tomada do cemitério, se iniciando por uma estátua de um anjo, até sair dele. Vemos o cortejo de carros chegando até a porta do cemitério. Corta para o interior do carro fúnebre, e o caixão com o corpo de Blake é retirado e levado para dentro do cemitério. Algumas pessoas estão lá, incluindo antigos colegas, como Manhattan, Daniel Dreiberg e Adrian Veidt. O caixão é então levado até o túmulo, com uma bandeira dos Estados Unidos sobre ele.

É isso, uma cena curta e sem nenhum tipo de ação, suspense ou até mesmo algo mais mirabolante.

Mas a carga emocional da cena, junto à maravilhosa música “The Sound of Silence” foi o que mais me marcou ao ver esse filme pela primeira vez. E até hoje me marca.

Amanhã, mais um filme e uma cena marcante.

E provavelmente quinta, um resumo das estréias da semana!





Um palhaço e um cara vestido de morcego *ou The Dark Knight*

22 10 2010

Sim, eu já falei amplamente sobre esse filme num post anterior. Mas esse filme me marcou profundamente. Por que? Vejamos à seguir.

Primeiro, todo o hype criado em torno do filme. Seja durante à escolha do elenco, seja no fantástico marketing viral feito até a estréia, o filme me fez esperá-lo como uma criança desde que saí da sala de cinema, no final de Batman Begins. O poder exercido pelo personagem Coringa é algo fora do comum, sério.

Segundo, o próprio Coringa, vivido no filme pelo falecido ator Heath Ledger. Todo o trabalho de criação do personagem, que rendeu a Ledger um problema sério de saúde que, dizem culminou em sua morte, foi nada além de perfeito. Pode ser que a morte do Ledger tenha criado toda uma aura de deus em torno do personagem, mas o resultado final é incrível. Ele é caótico, completamente louco e sádico. Provavelmente diferente do Coringa de Jack Nicholson ou até mesmo dos quadrinhos. Exceto, creio eu, o da genial HQ “A Piada Mortal”, do não menos genial Alan Moore. Recomendo que os fãs que ainda não leram, procurem e façam um favor a si mesmos.

Enfim, esses são motivos, pra mim, de sobra para esse filme ser o começo dessa série.

Agora, vamos a cena especial do filme em minha opinião.

Eu tive trabalho em decidir uma. Existem, no mínimo, três cenas marcantes. O discurso do Coringa, no hospital, convencendo Harvey Dent de que o culpado de tudo o que aconteceu a ele era não um palhaço sádico, e sim os planos e idéias de outros, como Jim Gordon e o Batman. A perseguição ao camburão em que estava Harvey, onde o Coringa e Batman tem um embate incrível e um final explosivo. Mas a cena mais marcante é o encontro dos maiores mafiosos de Gotham, e a aparição do Coringa lá para colocar-se à disposição deles. Vamos à explicação.

Vamos analisar essa cena por partes.

Primeiro, a chegada do Palhaço.

Ele chega rindo, todo sarcástico. Ao ser ameaçado por Gambol (Michael Jai White), ele propõe um truque de mágica. Um dos homens de Gambol vai até ele, e a mágica é feita. Se a cena acabasse aí, já seria uma das melhores da história. Mas ela prossegue. Gambol não se intimida, mas Chechen (Richie Coster) opta por ouvir o que o Jóquer tem a dizer.

Segundo, volta no tempo.

O Coringa, então, pede que voltem no tempo em um ano. Ele diz que a polícia ou a justiça não ousava ameaçá-los naquela época. “Então, o que aconteceu? Vocês perderam seus culhões?”. Frase nada mais que hilária. Mas Gambol não pensa assim. O Bobo, o Palhaço, continua sua explicação. Diz que sabe muito bem o porque eles fazem suas reuniões, ou “grupo de terapia” durante o dia: Batman. O medo que aqueles homens tem do homem-morcego causa isso.

Terceiro, a proposta.

Ele então diz o que até mesmo o Capitão Óbvio já sabe: a proposta dele aos desesperados bandidos é apenas uma: matar Batman. Não de graça, como ele mesmo deixa claro. Os outros, claro acham isso loucura. O  Coringa diz que não. Ele fala outra frase que arranca lágrimas de rir: “Devemos fazer isso agora, ou nosso… Gambol, bem aqui, não poderá dar nem mesmo uma moeda a sua avó.”.

Quarto, a cartada.

Gambol explode de raiva. E resolve ir pra cima do Palhaço. Mas isso não se mostra uma idéia muito inteligente. O Coringa mostra que não foi até lá sozinho à toa: uma quantidade de granadas sob sua capa. Basta ele puxar a corda e “BUM!”. Gambol, então, o ameaça: 500.000 dólares pelo corpo do Coringa. 1 milhão se o entregarem morto.

Por fim, a saída.

O Coringa não se intimida. Entrega um “cartão de visitas” aos nobres mafiosos e sai de cena.

Então, é isso.

Em breve, uma nova grande cena comentada por aqui!





Um simples aviso

22 10 2010

Interr0mpo minha sequência de posts (que deveria acontecer, mas fiquei desanimado com ela) pra avisar da mudança de planos: vou falar agora sobre outra coisa: cenas de filmes.

Um dia desses, conversando com a Fernanda (oi Fê, como vai?), surgiu uma idéia de eu falar sobre cenas marcantes em filmes. À partir do próximo post, vou falar sobre um filme específico, e comentar uma cena que eu considero o ápice do mesmo.

Fiquem ligados (ou não!) nisso aqui.

Mesmo que ninguém entre aqui, na verdade.

É um fato.